sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Destino

É engraçado como o destino brinca com as pessoas. Você idealiza um plano, imagina uma situação e de repente, está fazendo outra coisa completamente oposta do imaginado. Planejar é extremamente dificil, por que as chances de não haver imprevistos sempre são minimas. E as vezes os imprevistos te levam para caminhos completamente diferentes. Alias, eles levam, no sentido literal da palavra.


O destino traz muitos amigos. E leva consigo quase a mesma quantidade deles.


Ainda bem que temos algo que o destino não pode nos tirar (embora o seu amigo intimo, o tempo, possa. Não totalmente, mas pode): As lembranças. Embora dorminhocas, elas estão lá. E algumas quando acordam, chegam cheias de marra. Quase que exigindo: "Hey, reconheça que nesse tempo você era feliz, e não sabia". Ou sabia.

Aquele grupinho já estava na fase em que não se consideravam mais crianças, embora ainda o fossem. Criados juntos, amigos a anos, brincavam na rua todos os dias, a tarde toda. Um dia, aparece uma menina nova na rua. Loirinha, baixinha. Aparenta ter bem menos do que sua idade, que é a mesma de todas as outras crianças, menos os dois mais velhos, um menino marrento e uma menina malandra, que faziam as vezes de lideres.

Com uma bola de basquete na mão, a menina, para se enturmar, convida os outros para uma partidinha. O menino mais velho aceita prontamente. Basquete é seu forte. No embalo, todas as crianças aceitam o jogo.

Primeiro lance. A menina baixinha rouba a bola do tal menino mais velho. Faz a cesta (improvisada numa lixeira de um dos vizinhos). Segundo lance. A menina baixinha dribla o menino mais velho e faz a cesta. Terceiro lance. A menina baixinha dribla todos, e faz o passe para o outro menino, que mal sabia as regras, fazer a cesta. Se conheciam a menos de meia hora. Estava enturmada. E mais, já era respeitada pela turma!

Não se sabe ao certo quanto tempo passou. Um ano? Menos? Muitas partidas de basquete nas tardes quentes de verão, é verdade. A familia da menina nova se mudou de novo, ninguém nunca soube pra onde. Os outros voltaram a sua rotina normal. Queimada. Futebol. Volei. Pega Pega... Basquete? Nunca mais.

Um sonho. Pode desenterrar memorias que você nunca esperava que voltariam. Pode te fazer sentir saudade de tempos que com certeza nao voltam nunca mais. Pode te fazer passar horas se perguntando "que fim levou" alguma pessoa. Pode te fazer odiar o destino.

Das cerca de 10 crianças que jogavam basquete, despreocupadas com a vida, naquelas tardes, só 3 delas continuam lá, naquela rua. E quase nunca se veem. Assim é o destino.

O destino é implacavel, impiedoso. Ele decide. Ele manda. Ele simplesmente brinca com as pessoas. E ele tem um péssimo senso de humor.

2 comentários:

  1. infelizmente crescemos e temos que começar e ter responsabilidades e no fim elas nos consomem todo o tempo e como consequencia nos afastamos pouco a pouco das pessoas é a vida

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  2. Poxa, ja tava começando a sair daqui sem comentar, até que li aquilo do comentário :0

    É, se for analizar é triste olhar pra velhos amigos e saber que não tem mais aquela intimidade toda e agora só resta o carinho que temos por eles que de certa forma é uma gratidão por tantas felicidades já passadas juntas.

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