segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Universo Artificial

E então, eles conseguiram. Suas brincadeiras de Deus foram longe demais, e os cientistas finalmente conseguiram aquilo que sempre sonharam: Criar um mini Big Bang. E por consequencia, um universo. Dentro de uma máquina, lá estava ele... Um universo inteiro, tão grande e fascinante quanto o nosso, paralelo e ao mesmo tempo observavel. E o melhor: Como o tempo é uma coisa relativa, o tempo nesse universo ainda passava muito, mas muito mais rapido que o nosso. Tudo que eles queriam.
Obeservar em menos de uma hora, com seus próprios olhos, milhões de anos passarem enquanto um universo evolui, desde seu nascimento, é tudo que qualquer cientista, de qualquer area, sempre sonhou. E agora, é a realidade!



A comunidade cientifica veio abaixo. Porém, em sigilo. O mundo não poderia saber de nada disso, pelo menos por enquanto. Questões éticas, sociais, religiosas e tantas outras os impediam de mostrar qualquer coisa no momento. Para eles, restava o prazer de observar, anotar e aprender. E nada de divulgar.

E assim se passaram alguns bilhões de anos no nosso universo de brinquedo. Estrelas apareceram e deixaram de existir, bem como galaxias e todo o tipo de coisas, exatamente igual o nosso universo. E também apareceu a vida.

Ahhh... A vida. Tão logo identificaram os primeiros organismos, os primeiros planetas a desenvolver a vida, os cientistas começaram a chorar. Era como a emoção de um pai que vê o parto do seu primeiro filho. Mais: Era como a emoção de um Deus vendo seu mundo ganhar vida! Quer mais?

Tinha mais. Em pouco tempo, um dos planetas que abrigava vida começou a desenvolver vida inteligente. Sim. Desenvolveram cultura. E depois, tecnologia. Dominaram o planeta em que moravam. Mudaram o planeta em que moravam, para melhor atender suas necessidades! Aqueles seres estavam, depois de alguns milênios, evoluidos o bastante para partir para a exploração do universo!

Começaram timidos. Foram a uma das luas do seu planeta. Depois um planeta proximo. Começaram a construir bases fora do seu planeta, cada vez mais longe, cada vez mais universo adentro. E quando nada parecia ser capaz de impedi-los... Puf. Eles sumiram. O planeta simplesmente deixou de ter vida. Algo serio aconteceu lá, e foi algo muito repentino. Seja o que for, dizimou completamente a vida no planeta.

Acharam estranho, mas, tirando a questão sentimental vinda do fato de ser aquele o primeiro planeta com vida em seu universo, os cientistas não deram muita bola. Catastrofes assim acontecem o tempo todo no universo, na própria terra já aconteceu varias vezes. A vida continua. Literalmente.

Bem, a aquela altura, vários outros planetas já tinham vida. Os cientistas começaram a concentrar suas observações em outro, para ver até onde iriam. Esses nem chegaram a explorar o universo: Foram dizimados por alguma coisa, pouco antes. Não sobrou nada no seu planeta. Nem o proprio planeta!

Os cientistas começaram a perceber que isso estava se tornando frequente em seu universo particular. E não eram extinções em massa como as da terra, onde pelo menos algumas especies sobreviviam. Não sobrevive nada nessas extinções.
E o problema pelo visto não era nada relacionado a estrela mais proxima ou algum fator externo: O planeta era o unico do seu sistema que mudava assim, de condição tão repentinamente. E isso era muito estranho...

Eles começaram então a comparar. O que esses planetas tinham em comum?
A resposta era obvia: Vida inteligente.

Isso mesmo. Sempre que uma sociedade dominava a tecnologia a ponto de viajar pelo espaço, eles já haviam dominado também a tecnologia para destruir tudo. Uma arma de destruição em massa qualquer, capaz de aniquilar com a existencia da vida no planeta inteiro. E cedo ou tarde, eles acabavam por usa-la mesmo...
A mesma seleção natural que os fez evoluir tanto, tornou-os raças guerreiras que sentia necessidade de competir. Guerrear. E isso culminou no fim deles próprios.

É assim. E isso explicou muita coisa. Como o famoso paradoxo de Fermi. Onde eles estão? Eles estão por ai. Mas quando conseguem dar mostras de onde estão, eles se matam.

E o pior, isso vai acontecer com a gente, cedo ou tarde. Talvez mais cedo do que imaginamos. A tecnologia para nos destruir nós já temos. O instinto guerreiro idem. O momento parece propício.

Tudo indica que logo mais sairemos de cena. E os cientistas que estão nos estudando, do lado de fora dessa maquina onde foi criado nosso universo, terão que procurar outro planeta para estudarem.

Um comentário:

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