segunda-feira, 29 de março de 2010

O Herói que nunca foi. O amor que nunca deixou de ser.

  A primeira vista, ele não era diferente de todos os outros. Era um menino normal, feinho, pequeno e franzino. Mas não era isso que ele mesmo via. Ele via o herói. Merecedor até de uma TV apenas para seguir seus passos. O grande líder que tudo sabia. Aquele que tudo podia. O herói.

  Ah... Ele seria o herói. O mundo estava predestinado a ver o seu maior herói surgir em alguns anos. Aquele que seria inesquecível, incontestável, incomparável. Ele simplesmente seria, e nada iria detê-lo.



  Vieram então os anos. O tempo, senhor da razão. Aquele que mesmo nosso impetuoso herói não pode desafiar (embora, do alto de sua arrogância, ele realmente acredite estar imune). E o tempo, por mais que as vezes seja injusto, é sábio, e quando preciso, ensina pela dor. Abateu com um chute as convicções do nosso protagonista.
  Ele não era um herói. Ele não era diferente de todos os outros. Era um menino normal, feinho, pequeno e franzino. E arrogante.

  Mas, embora não fosse poderoso como pensava ser, embora não fosse capaz de decidir o destino e ter milhões de vozes entoando seu nome, ávidos por um pouco de sua atenção, ele ainda era um líder, aquele que tudo sabia.

  Não. Ele não era. Conforme o tempo passava, ficava claro que ele não detinha o poder de persuasão que pensou que tivesse. Ninguém o ouvia.
  Não era possível. Ele tinha que ser o melhor. E ele era. Percebeu que seu poder era diferente. Alias, os outros perceberam por ele. E ele conseguiu.

  Era, entre os seus, reconhecido. Era o ponto alto da pirâmide e todos queriam ser como ele. Ele podia sim, formar seu império. Com sua mente brilhante, ele poderia chegar aonde quisesse. Sim...

  E é nesse ponto da historia que ela entra. E rouba a cena. E ele já não era mais o topo da pirâmide. Havia alguém maior que ele. Alguém melhor. Era ela. Não havia o que discordar. Ele não pôde contestar que estava diante de alguém especial, por mais que seu egocentrismo tentasse fazer o contrário. Ele era um gênio. E era humano. E um humano genial, também passa por anseios de humanos comuns. E ela era mais que ele. Demais, diria.

  Amor. Mais implacável que o tempo. Mais importante que a fama. Mais. Simplesmente mais.

  O tempo trás consigo a experiencia. Essa ele não conhecia. Ele era capaz de aprender tudo na teoria, se realmente se esforçasse. Mas isso ele não podia. O que se passa na mente dela? O que ela gosta? Por que ela gosta? Como fazê-la gostar?

  Ser o herói da humanidade perdeu todo seu valor. Ele só tinha olhos e pensamentos pra ela. Mas ela mal sabia de sua existencia.

  Palavras rápidas e diretas, dessas indispensáveis que são ditas até para estranhos, alimentavam esperanças por meses.

  Por anos.

  Uma década.


  Muita coisa mudou. Agora ele tinha plena consciência de que não era especial. Ele tentou, em vão, ao longo desses 10 anos, mostrar ao mundo quem ele era, embora sua mente o tenha proporcionado coisas muito especiais. Até esqueceu dela. Em partes.

 Sabia que não era capaz de duas coisas: Ser o herói que pensou que seria. Tê-la ao seu lado. Tentou, sempre que pôde, substitui-la. Em vão. Primeiro por que a experiência, que tanto lhe faltou no começo, ainda não veio.

  Erros, uma porção de erros. Erros seguidos de erros. Erros que não lhe ensinaram nada. Apenas o levaram a outros erros. Erros a rodo. E o último suspiro do herói morreu nesses 10 anos: A inabalável confiança.

  E não houve momento da vida que as comparações não existissem. “Ah... Se fosse ela...”.
  Ciente de sua incapacidade, ele tentou substituir. Ele tentou esquecer. Ninguém o fez esquecer. Ninguém a substituiu. Nada mudou. Apenas que ela sumiu. E levou consigo o herói. O tempo cuidou de tudo.

  O tempo, no entanto, tem um irmão. Se chama destino. E esse, ah meu amigo, esse é um brincalhão. E é cruel, adora situações assim. Pra ele é um prato cheio.

  Puf. Apareça de novo. Na hora certa. No lugar certo. Fazendo a coisa certa. Perfeito.

  Apenas dê um tempo e tudo volta. Ela volta. O herói, aos poucos está voltando. Ele não acredita. Mas ele não desistiu também. Desistir não, isso ele jamais aprendeu. Aprendeu a cair de pé. Aprendeu a lutar até o fim.

  E agora? O que fazer? Você ainda não tem experiência. Você já não tem mais confiança. Você nunca teve coragem. Você não tem mais ilusões. E dessa vez você tem a perder.

  Não confunda. Não perca o foco. Não abaixe a guarda.
Você que sempre pensou que não precisava de ninguém, que poderia resolver tudo sozinho sempre que lhe desse na telha. Você que sempre pensou que era a solução. Agora sabe que precisa dela. Mas ela precisa de você?  Não. Você sabe. Ela é a solução.

  O que você vai fazer?
  Como vai fazer?
  Dará certo?


   O tempo, senhor da razão. Aquele que mesmo nosso impetuoso herói não pode desafiar (embora, do alto de sua arrogância, ele realmente acredite estar imune). E o tempo, por mais que as vezes seja injusto, é sábio.

O destino, esse que é um brincalhão e vê nessas situações o sinonimo de diversão.

  Quebra essa vai. Só dessa vez. Ajudem nosso herói a vencer. E ai ele esquecerá definitivamente o mundo, que é de vocês. O mundo não é o bastante. Ela é.

Um comentário:

  1. 'simplismente profundo e tocante *-*
    perto de algo insubstituível,de um sentimento grandioso; o mundo se torna pequeno, relevante e totalmente incompleto.

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