segunda-feira, 7 de junho de 2010

O poderoso Destino

O que é o Destino? Ele existe? Estaríamos destinados a passar situações pré determinadas ao longo de nossas vidas? Já nascemos “programados” para nos casarmos com uma determinada alma gêmea, brigarmos com aquela outra pessoa, cometer aquele erro e morrer daquela forma? Escrevemos nosso destino novamente a cada minuto? E se tudo não passar de simples coincidências? E o efeito borboleta, onde entra? Num momento de paz rara e de crise de abstinência (o blogueiro está escrevedo o texto sem conexão com a internet em um domingo enregelante), chegou a hora do Tales of Thales abordar esse assunto tão fascinante. Já que o destino lhe trouxe até aqui, acomode-se melhor e vamos conversar um pouco...


  O poder da mente
  Falar sobre o destino leva a um campo extremamente amplo, já que não é como falar sobre biologia ou física. Não é uma ciência exata, por que vai depender da fé, da crença e das experiências de cada um. E também passa por uma característica chave do ser humano, muito apreciada pelos céticos da ideia de destino pré traçado, e que também é relevante ao falarmos das leis de Murphy: Nós geralmente damos atenção apenas ao que é necessariamente bom ou ruim, e ignoramos os meio termos.
  Por exemplo, suponha que você gosta de uma pessoa que nem sequer sabe que você existe. No entanto, você vai ao supermercado e encontra ela lá. Vai pegar o metrô e lá está essa pessoa. Vai num parque e a vê também. Vai viajar para uma cidade desconhecida do interior e encontra essa pessoa lá. A primeira coisa a pensar é “deve ser o destino!”, no entanto, provavelmente você encontra muitas outras pessoas, que talvez você nunca tenha sequer notado a existência, tantas vez quanto encontra essa pessoa especial, ou até mais. Mas não percebe, por que você vê muitos estranhos por dia, e ver essa pessoa desconhecida não é relevante ao cérebro.

  O mesmo ocorre ao contrário: Se você for trabalhar e no caminho tropeçar 3 ou 4 vezes, pensará “hoje é meu dia de azar!”. No entanto, se você não tropeçar nenhuma vez até chegar lá, dificilmente pensará que está com sorte. Isso por que andar sem tropeçar é algo esperado, tão esperado que seu cérebro não perde tempo com isso. Mas andar tropeçando é fora da rotina, então seu cérebro te diz “preste atenção nisso cara, pode ser importante!”.  Ainda: Quando cheguei em casa, pensei estar com azar por estar sem conexão com a internet. Mas não teria pensado que era meu dia de sorte se tivesse encontrado a internet funcionando...
  Esse é o poder que a mente tem de criar ilusões que nos fazem achar que somos “o escolhido do destino”, quando o que está acontecendo pode ser simplesmente uma...

  Coincidência.
  O blog já disse isso, mas nunca é demais repetir: Se existe uma coisa comum, são as coincidências. Acontecem o tempo todo, e estão acontecendo agora, nesse momento. Afinal, você poderia estar fazendo milhares de coisas, mas coincidentemente está lendo um texto sobre o destino. Você poderia ter nascido, aliás, em muitos lugares, ou poderia nem ter nascido, mas nasceu onde nasceu, na família que nasceu.  E isso só foi possível por uma série de coincidências ao longo dos séculos, talvez milênios.
  Por mais que pareça improvável que algo pareça improvável, lembre-se que existem 6 bilhões de pessoas no mundo. Logo, se a chance for de 1 em 6 bilhões, isso que é tido como quase impossível deve acontecer 6 vezes por dia. Como poucas coisas são tão improváveis assim, coincidências do mais variados tipos acontecem o tempo todo, algumas sem que ninguém lhes dê a devida importância, outras ganhando estatus de algo mistico, obras do destino.

  Encontrar o amor da sua vida numa discução de trânsito: Destino ou uma simples coincidência? Talvez, obra de uma...

  Borboleta.
 Não uma borboleta comum. Talvez uma borboleta australiana. Estamos falando da teoria de que um simples bater de asas de uma borboleta na Austrália pode causar um furacão na Califórnia. Sim, uma Borboleta Argentina pode ter sido responsável pelo gol da França contra o Brasil quatro anos atrás! Calma, nem só com borboletas escreve-se o destino.
  Tudo que você, eu ou qualquer ser, seja ele vivo ou não, faz ou deixa de fazer, muda completamente o que acontece no mundo inteiro. Vejamos uma cena exagerada e fictícia para ilustrar:
  Imagine que nesse exato momento você cansou do texto e resolveu trocar de site. Foi ver o Orkut, mesmo sabendo que seu chefe te proibiu. É pego no flagra. Demitido, fica sem dinheiro e deixa de ir naquela festa. Festa essa onde você encontraria o grande amor da sua vida. Pronto, um ato pequeno que mudou completamente o seu destino. E também mudou o destino da pessoa que iria te conhecer e nunca conheceu. Pior: Mudou o destino dos seus filhos com essa pessoa, que jamais chegaram a nascer. E tudo isso só por que trocou de site!

  Acontecem o tempo todo esse tipo de situações. Escolhas. Cada uma leva a uma consequência. A velha lei da ação que leva a uma reação. Cada consequência leva a outras escolhas, que por sua vez levam a outras consequências. E assim por diante. Assim fica difícil ter um destino pré determinado, certo? Errado. Pelo menos se você fizer a pergunta:

   Até que ponto estou realmente livre?”
  A pergunta é: Será que você está lendo isso por que você quer, ou por que estava destinado a dedicar parte do tempo da sua vida a este texto? Essa segunda opção anula a teoria da borboleta: O furacão do famoso exemplo estava destinado a acontecer. A borboleta que bateu a asa do outro lado do mundo foi apenas um meio que o destino encontrou para isso acontecer. O mesmo vale para o exemplo que o blog deu: Você não estava destinado a casar-se com aquela pessoa, e perder o emprego foi apenas a maneira que o destino encontrou de impedir que isso acontecesse.

  Ambas as ideias, por mais contraditório que pareça, se opõem e no entanto se completam. Por mais que uma seja a antítese da outra (uma defende que escrevemos nosso destino a cada minuto, a outra defende que ele já estava traçado), ambas podem conviver muito bem harmoniosamente.  Aquela escolha estava destinada a acontecer, e a mudar o destino. Mas espere, se estava destinado, o destino não mudou, aconteceu o que deveria acontecer de fato? Mas só aconteceu por que aquela pessoa decidiu aquilo, mesmo que inconscientemente. Então foi ela que causou aquilo, e não o destino?  Complexo demais, como tudo que cerca questões filosóficas. Se ele existe ou não, isso é algo que...

  Só o destino dirá
  Romântico. Sarcástico. Irônico. Brincalhão. Sábio. Cheio de surpresas. Com idas e vindas. Ele tem dessas coisas.
  Real ilusão, abstrato ou não, isso não importa. Eu pelo menos gosto dele, por mais que ele não pareça gostar muito de mim. A vida me parece mais divertida sendo regida por ele. Confio mais que ele escreva minha história, do que eu mesmo, se é que me entendem. Eu posso fazer besteira, e ele, dizem, é sábio. E romântico, sacástico, irônico, brincalhão...
  E você, acredita no destino?

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