sábado, 18 de dezembro de 2010

Moleques de Fliperama

Infelizmente eles não tem essa aparência...

  Fliperama: Quem já foi a um autêntico fliperama, fedorento, sujo, com o dono mau humorado que literalmente joga as fichas em cima de você, o que é um alívio considerando as condições duvidosas de higiene daquelas mãos, sabe exatamente porque o mundo está cada dia perdendo seus valores. Sim, alguém que foi a um fliperama desses durante a infância certamente desenvolveu testosterona o bastante para jamais cogitar usar calças coloridas e coisas do tipo. Com o fim iminente dos fliperamas, a coisa realmente tinha a tendencia a desandar. Pois bem.

Extinção: Desde que a humanidade existe, o seu progresso vem causando, de diferentes formas, a extinção de muitas espécies, dia após dia, noite após noite. O Blog repudia isso, acreditamos que todos os animais tem direito a dividir esse planeta, e nós devemos respeitá-los e fazer de tudo para atrapalhar o mínimo possível o equilíbrio da natureza.

Você a essa altura deve ter se perguntado que tipo de bebida eu tomei para começar falando de fliperamas e, sem motivo aparente, começar uma conversa sobre extinção. Mas tem um motivo muito especial para isso: A postagem de hoje é sobre um ser criticamente ameaçado de desaparecer, uma espécie que nasceu, cresceu e se desenvolveu justamente em fliperamas: Estou falando dos Moleques de Fliperama. Vamos conhecer um pouco dessa espécie enquanto eles não fazem companhia aos Dinossauros e Mamutes?


A Espécie

Esse rapaz avistou um deles chegando...
Pivetterius Fliperamiensis. Esse é o nome científico dessa simpática (?) criatura, que durante um bom tempo foi uma visão tão comum nas grandes cidades quanto pombos ou cães vira-latas sem dono. Aliás, eles parecem importar características desses outros animais: Dos pombos vem a habilidade de surgirem aos montes, assim que o primeiro encontra alimento. Dos vira-latas, imitam o fato de que pelo menos aparentemente, eles também não tem dono.

Ocorrem em fliperamas (aqui devemos deixar bem claro que fliperama, fliperama mesmo, são aqueles de rua, com máquinas velhas e fichas a preços populares. Aquele lugar limpinho e bonitinho do shopping, que usa cartãozinho para inserir créditos, é um salão de jogos), em todas as regiões do Brasil (relatos de espécimes parecidas em outros países existem, mas ainda aguardam maiores evidências antes de uma possível comprovação científica) e são predominantemente machos, sendo portanto sua forma de reprodução pouco estudada. Acredita-se que alguns se tornem fêmeas ao atingirem uma certa idade, embora alguns raros exemplares femininos jovens sejam avistados esporadicamente, colocando em xeque essa teoria...


Aparência e características físicas

São criaturas de aspecto humanóide, com cerca de 1,50 de altura, de diferentes cores e tamanhos, geralmente esqueleticamente magros, utilizando-se de vestimentas que um dia foram usadas em campanhas eleitorais de vereadores, porém, quase sempre estão rasgadas e sujas. Podem portar acessórios, como latas onde enrolam linha de pipa, um boné pirata de algum time do futebol europeu ou uma bola furada. Seu nariz, via de regra, emana uma espécie de secreção indescritível. Também chama a atenção o cheiro desagradável, mistura do cheiro dos fliperamas em si, com o cheiro do suor do próprio corpo deles e a tendencia a evitar banhos.

Tem pernas resistentes, que lhes permitem permanecer em pé por mais de 18 horas seguidas. Suas cordas vocais também são muito evoluídas, capazes de emitir sons agudos totalmente insuportáveis. Costumam ser carecas, usar o cabelo muito curto ou ter os cabelos descoloridos, amarelo giz. Quando presentes, os cabelos sempre estão despenteados e sujos. Olhos esbugalhados, quase sempre com remelas, capazes de olhar para várias direções ao mesmo tempo, afim de maximizar a tarefa de encontrar alguém com fichas sobrando.
Esperando o fliperama abrir...

Os membros superiores são um caso a parte: Resistentes, porém ágeis e precisos. São capazes de pegar uma ficha dentro da sua carteira, no bolso da frente da sua calça, sem que você sequer desconfie. Aparentam ter sempre entre 8 e 12 anos, sendo a passagem do tempo um fator que parece não afetá-los de nenhuma forma.


Hábitos

São animais diurnos extremamente resistentes, que permanecem nos fliperamas durante todo o tempo de funcionamento destes, sem demonstrar quaisquer sinais de cansaço. Vivem em grupos, geralmente entre 2 a 4 indivíduos, sendo o mais velho o macho alpha. Não se sabe exatamente do que se alimentam, mas teorias apontam que eles sejam capazes de sugar a energia das máquinas enquanto jogam. Dominam (ou pensam que dominam) uma espécie de linguagem primitiva, que lembra vagamente o português.

Seu habitat, como já foi dito, são os fliperamas de vila. No entanto, podem ser facilmente vistos em esquinas, interpretando o menino que ajuda a família enquanto pede dinheiro no farol (adivinhe para o que...), em praças e campos de futebol. Nunca em escolas. A aversão que eles tem a esse ambiente sugere que respirar o ar de uma escola cause neles efeito semelhante ao que o sal causa em lesmas. Ou até pior...
Quando atacados, costumam implorar ajuda para sua entidade protetora, conhecida como “Irmão Mais Velho”. Dependendo da entidade, o agressor pode estar com seus dias contados...

Caçando

Suas principais armas durante sua caçada são, respectivamente: A sua voz, a sua cara de pau e a sua determinação. Traduzindo em miúdos: Eles te enchem o saco até você não aguentar e lhes dar uma maldita ficha. A técnica costuma incluir frases como:

    - Escolhe a Leona pra mim, tio!
    - Ué, num pego ela por queeee? Num vai mi deixar jogar não tio? - Quando chegar no chefe, deixa que eu mato prucê!
    - Tio, faz o Iori maconhado!
    - É minha vez agora?
    - Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeein?

E frases no estilo, repetidas num ritmo de 5 frases por segundo. Se não surtir efeito, a estratégia pode mudar para uma tentativa de ferir a sua moral:

    - Vixe, você num joga nada tio!
    - Affê! Perdeu dele? Deixa eu matar ele prucê tio?
    - Ai tio, sua sorte é que não tenho uma ficha, senão eu ti ganhava fácil!

Podem ainda utilizar de psicologia reversa, interpretando os seus aliados enquanto torcem pelo seu insucesso, com a clara intenção de te causar irritação e desconcentração. É a famosa técnica do “eu avisei”, sempre perfeita para tirar alguém do sério

    - Não vai por ai não tio, porque ai tem o... Xiii... Eu avisei...
    - Faz o secreto tio! Senão ele vai... Xiii... Eu avisei...
    - Joga a bomba tio! Joga a bomba! Xiii... Eu avisei...


Causas da extinção

Essa espécie está criticamente ameaçada pela destruição iminente do seu ambiente natural. Fliperamas estão cada dia mais raros, sufocados por negócios mais atuais e rentáveis, como lan houses (principalmente), bares entre outros, estando o simples fechar as portas por falência inserido nas opções.
Agora eles não tem para onde ir...

O tempo dos fliperamas passou. E com ele, foi-se o tempo dos moleques de fliperama. Mas a vida dá um jeito. Darwin ficaria orgulhoso em saber que a teoria da evolução está cuidando do destino dessa criatura. A espécie encontrou seu caminho, se adaptou e já está novamente difundida na sociedade, como uma criatura nova: Os Funkeiros de Ônibus. Essa espécie apresenta algumas claras vantagens evolutivas, sendo a principal, o fato de que pode irritar uma quantidade muito maior de pessoas, utilizando muito menos tempo e energia do que seu antepassado. Com isso, a espécie vem se multiplicando rapidamente, de forma a ocupar o nicho ecológico deixado pelos Moleques de Fliperama.

Estes, dão seus últimos suspiros nos últimos fliperamas espalhados por ai. Sua hora chegou. E, sinceramente, esse é um raríssimo caso de ser que, provavelmente, jamais fará falta para a mãe natureza...

9 comentários:

  1. Gostei do post meu amigo, mas me recuso a aceitar que os muleques de flipers viraram funkeiros de celular e outros :S

    Isso nao é evolução, tá certo que pertubam mais e etc... mas os outros eram dotados de um senso de "cultura pop", com tal senso perdido na evolução devemos só lastimar =/

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  2. kkkkkkkkkkkkk; muito foda mano! ;D

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  3. encima=NOT FOUND, amigo...

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  4. bons tmpos... os pirraia... passa aqui pra mim, passa aqki pra mim..... kkkkkkkk

    quando nao dava pra passar ... os muleque ficava puto olhand feio... kkkkkkkkkkkkkkk

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  5. KKKKKKKK
    Esqueceu de falar que, quando na fútil esperança de ser deixado em paz, você deixar um jogar, os outros amontoavam em cima e começavam a brigar.
    "Qual é tio? Deixa eu jogar também?"
    "Só vai deixar ele?"
    "Ele é muito ruim, vai perder sua ficha logo. Eu avisei. Agora dexa eu..."

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  6. Verdade! Esqueci mesmo!
    E era exatamente assim, surgiam moleques sabe-se lá de onde pra pedir...

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  7. Acho que vou comprar umas quatro máquinas e colocar aqui no centro da cidade, vamos ver se criamos um movimento pra revitalizar a prática, os pivetes eram realmente insuportáveis ainda mais para um gordinho como eu, o bom é que eu era mais novo e o dobro do tamanho ai nunca chegaram a roubar uma ficha minha mais eles sempre acharam que era fácil comigo! heheh, o bom era quanto raramente agente ganhava deles, heheh as caras de espanto!!! Amo arcade!

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  8. Verdade, era muito dificil ganhar deles, eram semi-deuses em alguns jogos haha

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