terça-feira, 26 de abril de 2011

O incrível mundo da Criptozoologia


Em meio a tantas especulações sobre a possibilidade de vida em outros planetas, muita gente considera tudo isso uma perca de tempo. Pelo menos por enquanto, uma vez que parece ilógico procurarmos existência de organismos vivos além dos limites da nossa atmosfera quando ainda há muito o que se descobrir no próprio planeta Terra.
O Monstro do Lago Ness: Mito?

Muito a se descobrir e muito a se redescobrir. O tempo todo são descobertas novas espécies de animais, plantas, fungos, bactérias e vírus, vivendo aqui, debaixo dos nossos narizes (as vezes, literalmente). E até animais que pensávamos que estavam extintos, vira e mexe ressurgem de forma triunfal, aparecem vivinhos da silva em algum lugar do planeta e praticamente nos dizem “háááá, pegadinha do malandro!”. O Celacanto que o diga.

Geralmente, esses animais tendem a ser descobertos por mero acaso. Porém, existem certas criaturas que muita gente espera encontrar. Que há prêmios para encontrar. Que rendem programas de TV recheados de enrolação que nos roubam algumas horas do dia para no final não chegar a lugar nenhum. Falo de criaturas como o Pé Grande, o Chupa Cabras e o Monstro do Lago Ness. Essas criaturas são o objeto de estudo de um ramo que muitos consideram uma pseudo-ciência: A Criptozoologia.


Ao redor do mundo

Todas as culturas do mundo tem seus mitos. Alguns mais fantásticos que outros. E entre esses outros, alguns parecem estranhamente familiares. Algumas criaturas fantásticas parecem demais com certos animais, e quando elas se parecem com animais extintos e caem na boca do grande público, logo alguém começa a especular sobre a possibilidade de haver uma população desse animal extinto vivendo escondida naquela região.
Pterodátilos sobrevivendo na África?

Basta dar uma pequena volta ao mundo para ver quantidade de relatos de gente que jura ter visto animais com uma semelhança considerável com animais que simplesmente não deveriam estar por lá, pelo menos não na época em que supostamente foram vistos. Isso vai desde casos famosos, como o já citado “Nessi” (o Monstro do Lago Ness, que supostamente seria representante de uma população de Plesiossauros, um réptil marinho gigantesco do tempo dos dinossauros, que teria sobrevivido e habitaria o lago), até outros realmente surpreendentes, desde animais que remontam a Pterodátilos na Africa, até Homens de Neanderthal na Mongólia, Vermes gigantescos (e carnívoros) no deserto, ou mesmo Preguiças Gigantes na Amazônia (chamadas pelos nativos de “Mapinguari”).

 Certo, numa primeira análise, parece mais incrível que alguém realmente dê ouvidos a relatos desse tipo, do que o simples fato de estarem sendo relatados por outra pessoa. Mas afinal, o que leva as pessoas a acreditarem neles, e a se dedicarem para tentar provar sua veracidade?

Na boca do povo

Um motivo, e provavelmente o principal, são justamente as semelhanças entre a lenda contada pelos nativos e o animal descrito pelos cientistas como extintos. Veja só: Você, que nasceu na cidade grande, frequentou a escola (espero) e hoje tem acesso a internet, livros, e já assistiu Jurassic Park, certamente pode visualizar ai na sua mente um Pterodátilo, aquele dinossauro voador que aparece em Jurassic Park, quando eu falo sobre um. Mas e se você morasse numa tribo isolada no meio de uma floresta tropical africana, sem nenhuma dessas fontes de informação, preocupando-se apenas com os animais que você vê no dia a dia? Se você fosse mentir e inventar um animal para assustar as criancinhas, é provável que ele se pareceria com animais que você conhece. O problema surge quando você descreve um animal que não tem absolutamente nada a ver com os animais que vivem naquela região, mas se parece muito com outro, que supostamente não deveria estar lá.

Há três formas de ver isso: Ou você tem uma imaginação muito fértil e foi vítima de uma coincidência, ou você realmente viu aquilo e não está apenas tentando assustar criancinhas. Ou ainda, pode ser que sua vida não tenha sido sempre tão isolada assim. Criptozoólogos geralmente esquecem a primeira e a terceira opções e se apegam na segunda, ou seja, crêem que as pessoas estão falando a verdade. O fato de, em muitos casos, haver mais de uma testemunha ocular tende a fortalecer isso (mesmo que as vezes os testemunhos tendem a ser dúbios. Se metade das pessoas que juram ter visto o Chupa Cabras ou o Mapinguari tivesse tirado uma foto...).
E as vezes há até evidências...

Evidências?

Tudo bem, não costumam ser as melhores evidências do mundo. No caso do Lago Ness, por exemplo, o que temos até hoje é uma porção de fotos de troncos de árvores e todo o tipo de objetos boiando no lago. Evidências em casos de criptozoologia tendem a seguir essa linha: Basta que sejam analisadas com mais cuidado, e o mistério acaba na hora. Quantas vezes os laboratórios não analisaram os “pêlos do Pé Grande”, só para descobrirem que se tratavam de pêlos de um urso ou outro animal qualquer?

Pegadas , ossos, fotos, pêlos, até marcas feitas em troncos de árvores, pedras e paredes costumam ser apontados como evidências irrefutáveis da existência daquilo que os criptozoólogos em questão querem provar que existe. Em geral, ou essas evidências são falsas, ou o tiro sai pela culatra e elas acabam provando que o animal se trata de algo bem comum e já descoberto...

Qual o problema?

Por mais que seja legal imaginar que uma pequena população de qualquer animal há muito extinto ainda esteja vivendo pacificamente e feliz (ou não) em algum lugar do mundo é fascinante, a verdade é que existem alguns problemas lógicos que impedem que animais tão chamativos quanto, por exemplo, um lagarto de 6 metros de comprimento e mais de uma tonelada (que há quem acredite viver na Indonésia), esteja realmente andando por ai sem ter sido visto por mais que alguns nativos sortudos (ou não tão sortudos assim...).

O primeiro deles é justamente a questão de espaço. É perfeitamente compreensível que hajam milhares de esconderijos nas gélidas montanhas do Himalaia para uma espécie desconhecida ou mesmo uma população remanescente de alguma roedor que acredita-se estar extinto. Porém, não parecem haver muitos esconderijos para uma população de Símios bípedes e robustos com cerca de 1,80m de altura, como geralmente descrevem o famoso Ieti. O mesmo vale para o lago Ness: O vale, com sua extensa rede de túneis de acesso extremamente difícil para seres humanos pode facilmente abrigar uma população de peixes e crustáceos totalmente nova para os olhos humanos. Mas mesmo com esses túneis, o lago ainda é pequeno demais para abrigar uma população de répteis marinhos gigantes. Pelo menos não de forma a permitir que eles se escondam tão bem quanto aqueles que acreditam neles diz que eles se escondem...

Afinal, a população não pode se resumir a apenas uns 3 ou 4 indivíduos por geração, por um motivo bem simples: Variação genética. Uma população muito pequena tende a forçar os animais a se reproduzir por incesto ou assexuadamente. Bem, pergunte ao seu professor de biologia e ele te dirá por que essa não é a melhor forma de manter uma espécie tão complexa quanto répteis ou mamíferos viva por milhões e milhões de anos...

Para finalizar os exemplos (e há muitos outros ainda), há um problema ainda mais gritante: Animais morrem. Por mais tímido que um animal seja, parece realmente improvável que você vasculhe seu habitat por anos e não encontre sequer um esqueletinho para contar a história...

Note que esses argumentos são efetivos apenas em casos onde se delimita a região onde a população do suposto animal vive em uma área não muito grande. Em casos como o do Mapinguari, a tal população remanescente de preguiças gigantes (consideradas extintas à muitos milhares de anos) que supostamente ainda vive na Amazônia, esses argumentos perdem a força. Afinal, ainda há uma área considerável da floresta Amazônica totalmente intocada. O mesmo poderia se aplicar também aos tais Pterodátilos africanos, se não fosse o fato deles... Voarem! Por maior que seja a área intocada que você se esconde, quando você tem asas com 5 metros de envergadura e passeia por ai voando, é difícil ficar anônimo por tanto tempo...

Sem desânimo

Os criptozoólogos não são bobos e tem também os seus argumentos para justificar suas buscas, alguns bem mais convincentes do que os citados nesse texto (que aliás não é nenhum artigo cientifico sobre o tema). Assim como os céticos tem muito mais argumentos do que os citados aqui.

O fato é que casos como o do Celacanto, um peixe que acreditava-se estar extinto à muitos milhões de anos (desde muito antes dos dinossauros estarem extintos) e foi encontrado mais vivo do que nunca em grandes populações oceano a fora, fortalece as esperanças de criptozoólogos no mundo todo de que aquilo que eles buscam possa ser a próxima descoberta a calar a boca dos críticos.

E a natureza é uma caixinha de surpresa. O tempo nos ensinou a riscar do nosso vocabulário palavras como “impossível”. O fato é que o mundo ainda guarda muitos segredos, apenas esperando para serem descobertos. Ou não.

Se você já assistiu “King Kong”, sabe que se você é um animal exótico e raro demais, vivendo feliz e tranquilo em seu habitat natural, sendo temido pelos nativos, ser descoberto por pessoas gananciosas, pode não ser a coisa mais legal do mundo. E como o mundo é lotado de pessoas gananciosas... Pode ser que muitos mitos estarão melhor se continuarem sendo apenas mitos...  

Um comentário:

  1. Sou criptozoólogo há mais de seis anos, e garanto a vocês que não existem motivos para grande parte (não todos) dos criptdeos existirem.

    A questão do espaço, que o amigo levanta, pode ser facilmente refutada se levarmos em conta as estruturas subterrâneas.

    Nós seres humanos temos uma visão errada do subterrêneo, achamos que são apenas cavernas apertadas e escuras, quando na verdade não é bem assim.

    É claro que também existem cavernas apertadas e escuras, mas a própria ciência já provou que as estruturas subterrâneas do planeta são lugares imensos. Existe um documentário do discovery chamado "por dentro do planeta", algo assim, que ilustra isso muito bem.

    A maioria dos criptdeos vivem em cavernas, grutas e estruturas subterrâneas, raramente saindo de lá, e sendo vistos por poucos sortudos quando isso acontece.

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