segunda-feira, 16 de maio de 2011

Futebol e videogame: Uma viagem no tempo!


  Futebol é o ópio do povo. Pode-se dizer que a vida de boa parte dos homens pode ser definida em três fases distintas: Quando eles sonham em ser jogadores de futebol, a infância. Quando eles invejam os carros e as mulheres dos jogadores famosos, a juventude. E quando eles começam a se preocupar com o fato de que os jogadores que eles invejavam estão todos aposentados, a velhice.

E se para as namoradas dos apaixonados por esse esporte, a concorrência com aquela maldita final de campeonato que teima em acontecer justamente no domingo (afinal, por que não usam o cérebro e as fazem na segunda feira, quando você está no trabalho e não pode ver o seu namorado, não é?) já é desleal, ela pode ficar pior quando vem unida com uma ferramenta que pode ser ligada a qualquer hora do dia: O videogame.

Crescemos jogando jogos de futebol. E eles cresceram conosco. Amadurecemos juntos. Vimos muitos jogos de futebol passarem e se tornarem marcantes, tal qual aquele artilheiro do nosso time ou aquela final de campeonato inesquecível. O futebol evoluiu, mas os craques da nossa infância serão sempre os melhores na nossa mente. Assim como os games evoluíram, mas os jogos de futebol das antigas é que ficarão para sempre na nossa memória. E como eu sei que é quase tão legal lembrar hoje dos bons momentos jogando os clássicos quanto era joga-los na época, que tal relembrar de alguns games de futebol marcantes, de uma época sem motion capture ou partidas online?


Sega Soccer

Esse jogo de futebol respira a simplicidade. E é isso, exatamente, o que faz dele divertido. Basicamente você entrava com seu time em campo para uma partida que durava exatos 90 minutos (no tempo do jogo), não importando se ao término da contagem a bola estivesse encima da linha do gol... Também não importava que você descesse o sarrafo em todo mundo: Sem faltas, sem impedimentos e sem outras coisas inúteis do futebol real.
Os gráficos e sons simples até mesmo para o Mega Drive (foi um dos primeiros jogos do console) e a pouca variedade de modos de jogo (só havia a opção de jogar um amistoso ou a Copa do Mundo), jamais fizeram a menor diferença para os jogadores: O ritmo frenético de jogo e a pancadaria garantia a diversão.

Curiosidades:
- Pouca gente lembra, mas apesar de não ter as licenças oficiais dos nomes dos jogadores ou nada parecido, esse era o game oficial da Copa do Mundo disputada na Itália em 1990. Seu nome original, aliás, era justamente World Cup Italia '90. Foi renomeado como Sega Soccer mais tarde, e no Brasil, recebeu o nome de Super Futebol.
- Não era exatamente uma sequência, mas um pouco do espírito da série foi trazido de volta a vida mais de uma década depois, com o game Sega Soccer Slam. Basicamente, a única relação entre os jogos, além do nome, era o ritmo frenético, a jogabilidade descompromissada e a ausência de regras.


International Superstar Soccer: Deluxe
International Superstar Soccer transformou o Super Nintendo no grande console para fãs de futebol no inicio dos anos 90. Mas a versão Deluxe trouxe, não só para o videogame da Nintendo, as bases do que um game de futebol deveria ser: Bonito, divertido, intuitivo e repleto de variedade. Até hoje venerado por aqueles que o jogaram, foi o rei dos multiplayers da molecada por um bom tempo, e colocou a Konami no topo dos jogos do gênero, superando a veterana EA. Transformar o juiz em cachorro ou abusar dos bugs para fazer gols fáceis era divertido, mas foi a jogabilidade sólida e os belos gráficos e som que fizeram desse jogo um marco.
Curiosidades:
- O sucesso desse jogo foi tamanho, que ele se tornou o primeiro jogo de futebol a ter versões hackeadas realmente bem sucedidas. Entre outras, as mais populares são a “Campeonato Brasileiro 96”, “Futból Argentino” e a célebre “Ronaldinho Soccer 98”
- Não ter as licenças oficiais de todos os times é algo que atormenta a Konami hoje em dia, mas ironicamente foi um dos fatores que, de certa forma, ajudaram a fazer de ISSD um ícone. Allejo e sua turma que o digam...

Fifa Soccer 96

Fifa Soccer 96 não foi o primeiro da série, e nem o segundo. Mas foi aqui que a série da EA atingiu alguma maturidade, embora os títulos anteriores fossem ótimos jogos. Fifa foi a primeira série a perceber que, para os fãs do esporte, não era apenas o que acontecia dentro do campo que importava: Também gostamos de estatísticas, de fazer nossos sistemas de jogo mirabolantes e escalar o nosso time como der na telha. Aliás, falando nisso, também foi a primeira a perceber que futebol é clube, numa época em que quase todos os jogos de futebol se concentravam em seleções.
De repente, tínhamos nossos times na palma da mão, aliás, uma variedade enorme de times e seleções, todos escalados o mais próximo possível das escalações reais da época... Um fator que vem sendo o diferencial da série em relação a concorrente da Konami até hoje, que estreou nesse jogo.

Curiosidades
- Haviam 11 ligas e cerca de 300 times disponíveis no game, entre as quais, o campeonato de futebol da Malásia e um embrião da MLS, a extinta A-League.
- Foi a primeira versão poligonal de um jogo da série Fifa, nas versões para PC, Saturn, 32X e DOS. Também é o primeiro jogo da série a ter um editor de jogadores (somente no Mega Drive e nos consoles de quinta geração).
- Na capa do jogo, Nedved está dando um carrinho em Zidane...

Super Sidekicks 3

Num tempo em que os Arcades eram o topo da tecnologia e os videogames corriam atrás, nem Fifa, nem ISS podiam se equiparar, pelo menos tecnicamente, com a série Super Sidekicks e o poderoso Neo Geo da SNK. E foi no terceiro game que a série atingiu a apoteose.
Se era divertido jogar ISS com seus amigos em casa, jogar SSK no fliperama contra moleques desconhecidos, disputando além da vitória o direito de continuar na máquina e valorizar aquela moeda que sua mãe te deu para comprar a ficha, era quase como jogar uma partida da Libertadores pelo seu time do coração.
As animações eram sensacionais (destaque para a torcida e alguns momentos especiais) e sem comparação com os games da época e a jogabilidade, simples, intuitiva e muito divertida. E numa época em que os games em 3D começavam a se popularizar, e os arcades eram dominados por uma enxurrada de jogos de luta, acredite, era preciso ter animações e jogabilidade muito boas para impressionar os jogadores com um game de futebol em sprites...
O game não fazia a menor questão de ser um simulador, trazendo consigo dribles e jogadas totalmente impossíveis e vários momentos hilários, como um juiz totalmente atrapalhado...

Curiosidades:
- O game não tem licenças oficiais, mas faz seu esforço, com nomes que remetem aos jogadores reais, como Roman, que deveria ser o Romário, por exemplo. A idéia foi aderida e é usada pela Konami até hoje...
- Embora meio bizarra, esse game tinha uma narração em português, seguindo a tendência de localizar seus games da SNK na época. Assim como os games de luta, os erros de ortografia fazem parte do pacote...
- Na época da Copa do Mundo da França, o game foi relançado como Ultimate 11. Embora seja oficialmente uma sequência, nada mais é do que uma polida da terceira versão.

Virtua Striker 2

Quando a galera começou a enjoar de Super Sidekicks, chegava aos fliperamas um game de futebol que trazia a mesma essencia, porém, acrescida com as modernidades da época: Era a vez de Virtua Striker reinar. Dessa vez, era um jogo de futebol com gráficos de babar que usava toda a potência dos arcades da Sega para atrair os jogadores. Embora a jogabilidade ainda fosse simples e fácil de aprender e o ritmo de jogo fosse frenético, como bons jogos de arcade devem ser, diferente de Super Sidekicks essa série tentava trazer um pouco de realismo, principalmente nos gráficos e na movimentação dos jogadores.
A segunda versão é o auge da série, e é largamente jogada em qualquer fliperama de shopping ainda hoje, na era dos PES e Fifa's super realistas dos consoles HD. Além dos gráficos impressionantes (bem melhores que o primeiro jogo, graças as poderosas placa Model 3, Naomi e sua conversão impecável para Dreamcast) e das melhoras na jogabilidade (embora esta nunca tenha sido o ponto alto do jogo), fica o destaque para a ambientação e os estádios: Até hoje, pouquíssimos jogos de esporte conseguiram recriar o ambiente de um jogo como esse. As torcidas são de arrepiar.

Curiosidades:
- Na versão para Dreamcast, haviam vários times para habilitar, entre os quais, três muito inusitados: Um time de aliens, que faz as partidas serem disputadas sob uma chuva de meteoritos, um time contendo, entre outros, um boneco de neve e um esquimó, que joga suas partidas sob uma forte nevasca, e um time formado pelos produtores do jogo.
- O game originalmente foi lançado para Model 3. Posteriormente, foi lançado um upgrade, Virtua Striker 2: v2000.1, para a nova placa Naomi, com graficos melhorados. Ambas as versões foram portadas para Dreamcast.
- Embora popular entre os jogadores, a recepção desse jogo na mídia foi das piores, recebendo críticas ferrenhas, principalmente por conta de sua jogabilidade.

Winning Eleven 4

Na época, esse jogo foi considerado o melhor game de futebol já feito. Não por menos: De repente, tínhamos um jogo de futebol realista (para a época), com gráficos incríveis e uma jogabilidade fantástica. Aliás, tudo isso a série já tinha, desde o Goal Storm 97. Mas como se não bastasse, vieram novidades que definiram a série da Konami até hoje, como possibilidades de edição sem igual e a primeira aparição da lendária Master League, na época ainda com versões genéricas dos nomes dos times (não que isso tenha mudado muito hoje em dia).
As melhorias ficavam além das 4 linhas e dos modos de jogo: Agora haviam muito mais possibilidades de estratégias e escalações, o visual se tornou mais sério (substituíram as carinhas coloridas que indicavam o status dos jogadores por setas, por exemplo) e os gráficos deram um salto notável (foi a primeira vez que ouvimos a molecada dizer que fulano de tal estava “igualzinho!”).

Curiosidades:
- A versão seguinte, Winning Eleven 2000, apareceu só com times japoneses, para decepção de todos... Menos dos hackers , que viram nisso um prato cheio. Provavelmente, é o game com mais hacks no Playstation, mais até do que as versões posteriores. Campeonato Brasileiro, Carioca, Paulista, Libertadores, Times Clássicos... Teve de tudo um pouco...
- Jogar esse jogo hoje em dia é como uma viagem no tempo: Lembra da época em que o Rogério Ceni tinha cabelo? Que o Ronaldo era magro? Roberto Carlos e sua vocação (apelação) ofensiva?
- A versão americana, International Superstar Soccer Pro Evolution, curiosamente, não fez sucesso no Brasil. Provavelmente por não contar com o narrador totalmente insano da versão japonesa (“berê-cudaaaaaaa!”, “gole gole gole gole gooooool!”), ou porque entre não conseguir ler os nomes por que eles estão em japonês ou ler nomes como Romaldo e Batustita, a maioria das pessoas prefira a primeira opção...

3 comentários:

  1. Parabéns, excelente post! Coliuto + Carboni era sensacional! hahaha

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Excelente! Tem versões de ISSD hacks feitas até os dias atuais. Dá uma olhada em fortegomba.wordpress.com

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