domingo, 1 de maio de 2011

Vamos beber? (Entendendo a Cachaça)


  Então chega o final de semana (ou qualquer dia, dependendo de quem é você...). Você finalmente vai naquela festa que esperou o ano inteiro, ou vai para a balada com os seus amigos, ou vai fazer aquele churrasco com a galera, ou qualquer outra atividade que nada mais é do que uma bela desculpa para beber, certo? Pois é! E então, você exagera, e fica bêbado. Começa a falar coisas sem nexo. O mundo começa a rodar. Ganha coragem e fica paquerador (e obviamente fala bobagem). Vomita. Cai. Paga mico.

No outro dia, não apenas o pessoal está rindo de você, como você está com aquela ressaca brava, como uma lembrança indesejada da noite anterior...

Mas tudo bem, acontece. Que atire a primeira pedra quem nunca tomou um porre (ai!). Todo mundo sabe que beber demais deixa bêbado. Todo mundo sabe que depois vem a ressaca. Todo mundo sabe os malefícios da bebida. Mas uma coisa pouca gente se pergunta: Afinal, como acontece tudo isso? É isso que tentaremos descobrir, assim que o garçom chegar com a minha cerveja...

Desde os primórdios, até hoje em dia...

O homem bebia, chapava e caía. Ok, a música não é assim, mas bem que poderia ser, já que essa é a verdade. Bebida alcoólica é algo presente desde tempos imemoriáveis em praticamente todas as civilizações do mundo, e há indícios que mesmo antes delas, nossos antepassados símios já se deliciavam com frutas estragadas (que sofreram fermentação naturalmente, e portanto, tinham um pequeno teor alcoólico).

Dos Chineses aos Sumérios, dos Astecas aos Egípcios, a bebida testemunhou o surgimento da maioria das religiões, a construção das Pirâmides do Egito e qualquer monumento que você consiga se lembrar agora, uma infinidade de guerras, grandes impérios surgirem e ruírem... E parando pra pensar, isso explica muita coisa, ou será que sou o único que penso frases como “o que é que esses caras bebiam?” quando chego em certas partes dos livros de história?

O álcool chegou a ser usado como solução contra a peste negra que assolou a Europa na idade média (ao invés de beber a água contaminada, as pessoas bebiam cerveja...), como arma de guerra pelos romanos (que se faziam de amigos, embebedavam os inimigos e no outro dia pegavam todo mundo de ressaca), e teve papel decisivo na busca pela igualdade dos direitos entre homens e mulheres! Enfim, o fato é que encher a cara não é nenhuma novidade. Aliás, acredite ou não, hoje em dia bebe-se muito menos do que antigamente (mas tem um pessoal no bar aqui na minha rua que está tentando provar o contrário)...

Bêbados de cair

Mas deixando o papo histórico de lado, por que as pessoas ficam bêbadas? É tudo consequência do que o álcool faz quando (depois de passar pelos processos de digestão e entrar na corrente sanguínea) finalmente chega no nosso cérebro. O nosso cérebro (e todo o nosso sistema nervoso) se comunica através de sinais elétricos. Desde ler e entender esse texto, até digitar no seu teclado, ou mesmo as funções vitais, tudo isso só é possível por que células específicas, chamadas neurônios, transmitem a informação do seu cérebro para onde quer que ela tenha que ir no seu corpo (e isso pode incluir até mesmo outra parte do cérebro), através dos chamados neurotransmissores. O grande lance é que o álcool confunde alguns desses neurotransmissores.

Mais especificamente, três componentes químicos são afetados. A Serotonina é a primeira vítima, e ela é responsável pela sensação de alegria, ou seja, por te deixar todo felizinho, sorrindo a toa na festa e falando pelos cotovelos. A seguir, é a vez do GABA ceder às forças da malvada e começar de fato a causar problemas, dificultando a ação do cérebro (deixando seu pensamento mais lerdão) e dando aquela sensação chata de mal estar. Pra fechar a conta, é a vez da dopamina ser afetada, e uma vez que ela é responsável pela sua coordenação motora, é ai que você começa a tropeçar, derrubar o copo, cair...
Essa confusão dos neurotransmissores também é responsável, aliás, pela famosa aminésia alcoólica, que nem sempre é apenas uma desculpinha do seu amigo fingindo não lembrar das besteiras que fez...

É interessante observarmos que o álcool, obviamente, passa por todos os processos de digestão como qualquer outra substância. No caso do álcool, 20% dele é absorvido pelo seu organismo no estômago, e 80% no intestino delgado. Depois, é enviado para o fígado, que irá de fato metabolizar o álcool. É por isso que leva um tempo (em média, 30 minutos, variando de pessoa pra pessoa), para “subir”. Claro que se você beber muito, e muito rápido, e estiver com a barriga vazia, a tendência é o álcool ser empurrado intestino abaixo pelo que vem encima, diminuindo esse tempo...

Aproveitando o gancho, boa hora para explicar um mito: Não é que beber de barriga vazia te deixa mais bêbado do que beber logo depois daquela feijoada. Acontece é que no primeiro caso, seu sistema digestório não terá nada para digerir além do álcool, e por isso ele consegue fazer o trabalho muito mais rapidamente...

Quanto ao vomitar, desmaiar e outras reações que podem acontecer no final da festa (ou nem tão no final assim), é algo até mais simples: Cá entre nós, você acha que você tem um metabolismo ou uma incineradora? Como já falamos, beber demais confunde o cérebro e pode causar tonturas, além de atrapalhar a transmissões de impulsos elétricos. Junte isso com o seu corpo tentando desesperadamente digerir toda aquela bebida que não pára de chegar (e muitas vezes vem misturada, dificultando ainda mais o trabalho), entre outras variáveis, e você chegará num ponto em que o seu sistema digestório dirá: “Quer saber? Pra mim já chega!”, e vai devolver tudo por onde veio...

No caso do desmaio e do coma alcoólico, seu corpo tem certas providências que não exita em tomar em momentos desesperadores, e uma delas é simplesmente te desligar para você parar de fazer bobagem. Muito basicamente, álcool demais sobrecarrega o fígado, que não consegue liberar glicose para o sangue. Como glicose é a única fonte de energia que o cérebro utiliza, a única solução que ele encontra é desligar momentâneamente todos os processos que não forem fundamentais para te manter vivo, e isso inclui a sua consciência. Ou seja, o jeito é te derrubar antes que você se mate de verdade.

Que dor de cabeça!

E pro porre ficar completo, no dia seguinte, vem a ressaca! Você chapou ontem e agora paga o preço, com um mau humor terrível, dor de cabeça, vômitos, falta de concentração, sede, entre outras coisas (fora a sua aparência digna de um dos zumbis de Resident Evil)...

Não há muito como fugir dela. É uma reação normal do seu corpo quando ele recebe mais álcool do que tolera, e está relacionado com uma porção de coisas, como por exemplo, a desidratação. Beber um copo d'água entre um drinque e outro pode ajudar a evitar a ressaca no dia seguinte. Beber pra caramba e correr pra pista onde você dançará feito um bêbado (há!) e suará que nem um porco (ou fazer outra atividade física enquanto bebe), é garantia de ressaca.

Também não adianta achar que aquele whisky importado vai te dar menos ressaca do que aquele Vinho Puro Sangue de 2 reais: A ressaca tem a ver com quantidade de álcool, e não com a qualidade dele. No entanto, é fato que as bebidas de baixa qualidade tendem a dar mais trabalho para o fígado, o que pode potencializar realmente a sensação de ressaca...

Como o que conta é a quantidade total, pode ficar tranquilo: Você não ficou com ressaca porque misturou as bebidas. Ficou com ressaca por que começou com Cerveja e terminou com Vodka, passando por Rum, Whisky, Cachaça, Saquê...

Uma boa atitude se você quiser se livrar logo da ressaca é comer frutas e verduras no dia seguinte. Elas são ricas em glicose e frutose, e o seu corpo estará precisando disso. Frituras e outros alimentos pesados no entanto são tudo o que seu o corpo não vai querer...

Há outras consequências pós porre, como a famosa barriguinha de cerveja. Ela acontece porque o álcool é rico em calorias, embora não forneça nutrientes ao organismo. O corpo guarda essas calorias como reserva, na forma das famosas gordurinhas. Ou seja, basicamente a bebida só serve para engordar (embora algumas, como o vinho tinto, possam fazer bem a saúde desde que ingeridas em quantidades moderadas).

Há ainda uma série de outras complicações muito mais sérias, como o alcoolismo e outras doenças derivadas dos excessos. O álcool, como praticamente todas as outras drogas, tem efeitos colaterais e pode causar dependência. Portanto, beba com responsabilidade.

Já dizia o provérbio Chinês: Nunca confie em um homem que não bebe! Mas, digo eu, não confie muito em um homem depois que ele beber...

Enfim, é isso que o blog tem a falar sobre o álcool; Vejo vocês no bar... Digo, na próxima postagem!

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