sábado, 2 de julho de 2011

Richard Petty: O verdadeiro Rei


  Com o lançamento do filme “Carros 2” da Pixar, os holofotes voltam para essa animação que faz a festa dos amantes de corridas. Embora não tão aclamado como outros filmes da produtora (principalmente o xodó “Toy Story”), para os fãs de carros e de corridas em geral, o primeiro filme foi a grande obra prima da Pixar. Afinal de contas, não se tratava de apenas mais uma animação engraçada com personagens carismáticos. Vai mais além. É um show de referências sutis que valorizam a produção e criam um pacote completo para qualquer amante de velocidade, ou de animações...

Desde referências a histórias famosas do nosso universo (como um quadro que remonta a Arca de Noé) até outros filmes da Pixar (como por exemplo, a patrocinadora do Rei, Dinoco, que é a rede de postos de gasolina vista em Toy Story). Mas é óbvio que a maioria esmagadora das referências se relaciona com o universo de carros e corridas. E por falar em Rei, esse personagem não é apenas uma referência, muito óbvia, como também recebe a dublagem especial do cara em quem foi inspirado, uma adição muito legal que passou quase despercebida no Brasil.

Mas vamos tentar reparar essa injustiça agora. Com vocês, Richard Petty. O verdadeiro Rei...


O Rei da “Copa Pistão”

Winston Cup. Assim era chamada a principal categoria da Nascar até um tempo atrás. O filme Carros apenas faz uma referência a ela, com a competição tão aspirada pelos personagens, a Copa Pistão (Ou Piston Cup). Mas fazer uma referência a Winston Cup é algo totalmente inútil se ela não conter uma referência a Richard Petty. Motivo? Sete títulos, mais de 200 vitórias (sendo 27 delas em uma mesma temporada, outro recorde), 127 poles, mais de 700 vezes entre os 10 primeiros e mais de mil largadas, além de 7 vitórias na prova mais importante da categoria, a lendária Daytona 500... Está bom ou quer mais?

Por essas e outras, Richard Petty é rei nos Estados Unidos. Seu apelido reflete o que a população pensa dele: Para eles, trata-se de um dos maiores pilotos de todos os tempos, e o maior piloto que seu país já viu. E não há alguém em bom estado de sanidade mental que ouse discordar.

Sangue? Não. Aditivo.

Como é relativamente comum no automobilismo, e especialmente na Nascar, o Rei faz parte de uma família de pilotos. Seu pai, Lee Petty, foi outra lenda da categoria, tri-campeão da Nascar nos anos 50. Seu filho, Kyle Petty é hoje um piloto aposentado que não conseguiu conquistar as glórias de seu pai e avô, e seu neto, Addam Petty infelizmente morreu num acidente na última década, também correndo pela Nascar.
Família de pilotos, mas como podem notar, nenhum consegue se comparar com o currículo de Richard. Nem mesmo com o carisma. Dono de uma paciência quase tão impressionante quanto sua habilidade no volante, ele é capaz de ficar horas dando autógrafos ao chegar em algum lugar, até que tenha atendido todos os fãs. E acredite, ele tem MUITOS fãs...
Petty estreou na Nascar aos 21 anos, em 1958, quando seu pai ainda corria em plena forma, e foi eleito o novato do ano seguinte.
Sempre demonstrou talento e, dentro das possibilidades, obteve ótimos resultados, ganhando sua primeira corrida em 1960. Mas teve que esperar até o ano de 1964 para continuar o legado de seu pai. Na época, a Winston Cup ainda se chamava Grand National. Seu primeiro título e sua primeira vitória na tradicional corrida de Daytona lhe renderam o prestígio que lhe faltava. Agora ele era de fato um Top Driver.

O primeiro grande acidente e a retomada

A carreira de Petty no entanto não deslanchou exatamente naquele ponto. Aconteceria no ano de 1965 um de seus momentos mais trágicos: Um acidente que mataria um menino de 8 anos, Wayne Dye, e deixaria outras 7 pessoas feridas. Richard e seu pai foram responsabilizados pelo acidente e tiveram que pagar cerca de US$ 1 milhão em indenizações para as vítimas.
A tragédia no entanto não desanimou Petty. Já em 1966 ele entrou para a história de vez, ao tornar-se o primeiro piloto a vencer a Daytona 500 pela segunda vez. O detalhe é que ele chegou a estar duas voltas atrás do líder e conseguiu reverter toda essa desvantagem... Mas foi 1967 o seu ano dourado, onde venceu 27 das 48 corridas da temporada, sendo 10 delas em seguida, um recorde que lhe rendeu o título e um apelido que levaria pelo resto da vida, King Richard.
O lendário Plymouth 43

Sua terceira vitória na Daytona 500 viria de forma inesquecível, em 1971, por pouco mais de meio carro de vantagem sobre seu companheiro de equipe, Buddy Baker. Nessa época ele já dirigia o seu lendário Plymouth Superbird número 43. Se você não sabe que carro é esse, basta lembrar-se do personagem Rei em Carros. É esse.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro...

Foi ainda no ano de 1971 que ele voltou a conquistar algo inédito. Dessa vez na conta bancária: O aumento dos valores de premiação da Winston Cup somados com as 20 vitórias e o terceiro título de Richard na temporada lhe renderam mais de US$ 1 milhão em prêmios. Era a primeira vez que um piloto da Nascar acumulava tanto dinheiro em uma única temporada. E apesar dos problemas com patrocinadores enfrentados por sua equipe, o título continuaria nas mãos de Petty em 1972, porém, sem vencer em Daytona. A quarta vitória em Daytona viria no ano seguinte, 1973. Por sua vez, sem o título da temporada. Venceria ainda a Daytona 450 em 1974. Sim, Daytona 450: Por conta de uma crise de energia, a prova teve que ser diminuída em 20 voltas. Vai entender... Acabaria com o título daquela temporada também, o quinto na carreira.

E haja títulos! 1975 marcou seu sexto título da Winston Cup. O recorde de 13 vitórias em uma temporada do formato atual da Nascar, obtido naquele ano, só foi alcançado em 1998, por Jeff Gordon.

A grande chegada

Mas o ponto mais marcante de toda a carreira de Richard Petty ocorreria em 1976, onde ele protagonizou uma das corridas mais empolgantes da história da Nascar. Petty e David Pearson disputavam a liderança da Daytona 500 daquele ano. Person abriu a última volta em primeiro, porém, na quarta curva (mais conhecida como última curva...), um determinado Petty tentou forçar a ultrapassagem. Ambos se tocaram, rodaram e foram parar na parede. O carro de Petty ficou parado, ali, a pouquíssimos metros da linha de chegada. Com o motor completamente arruinado! Já Pearson, além do impacto com a parede, ainda atingiu um terceiro carro, retardatário. Mas seu motor ainda estava milagrosamente funcionando!
Praticamente se arrastando na pista, Pearson ultrapassou um estático Petty e venceu a corrida. Petty ainda conseguiria empurrar seu carro para garantir o segundo lugar.

O sétimo e último título (ufa!) de Petty na principal categoria da Nascar viria em 1979. Nesse ano ele também venceu a sua sexta Daytona 500. A sétima viria em 1981, em uma emocionante corrida onde ele estava em terceiro lugar até a última volta, quando os dois líderes bateram e lhe deram a vitória “de bandeja”. Essa corrida, a primeira Daytona 500 a ser televisionada ao vivo, aliás, marca o início do crescimento de popularidade da categoria. Mas a partir daí, os títulos minguaram. A idade já havia chegado?

O fim de carreira.

Se os anos 80 não vieram carregados de títulos, as vitórias continuaram. Tanto é que foi em 1984 que Petty atingiu a incrível marca de 200 vitórias, em mais uma corrida memorável, onde uma bandeira amarela colocou os dois primeiros colocados praticamente juntos pra decidir a corrida na última volta. Melhor para o rei.

Petty correu até o ano de 1992. Em sua última temporada, recebeu todas as homenagens cabíveis, incluindo do presidente George W. Bush (o pai). Sua última corrida foi histórica, onde mais de 160 mil pessoas (outro recorde) compareceram para ver a segunda decisão mais apertada da história da Winston Cup, onde 6 pilotos iniciaram a corrida com plenas chances matemáticas de sair com o título.

A disputa do título, que terminou com Alan Kulwicki, e a corrida em si, que foi vencida por Bill Elliot, nem tem tanta importancia assim. Importante mesmo é o desfecho emocionante da carreira de Richard Petty: Na 94° volta, seu carro sofreu um acidente e pegou fogo, forçando Petty a sair do carro antes de sofrer algum machucado. Sua equipe, no entanto, com muita competência, operou um milagre e conseguiu consertar o carro em tempo para que ele voltasse a corrida, quando faltavam apenas duas voltas para que ela fosse encerrada. Como no filme, o Rei merecia terminar sua última corrida...

Hoje em dia, Richard leva uma vida relativamente pacata. Tentou fazer muitas coisas, incluindo chefiar equipes. Sem muito sucesso. Hoje em dia faz, entre outros serviços, o que de melhor fazem as lendas aposentadas: É garoto propaganda. Ah sim, e também faz algumas pontinhas em programas de TV e filmes, inclusive dublando o personagem Rei no filme Carros. A esposa de Rei foi dublada também pela esposa de Richard.

Ah sim, e também dá declarações polêmicas sobre mulheres, chegando a alegar que as pilotos, como Danica Patrick, só estão lá para atrair publicidade, pois não tem condições de serem competitivas. Ok, ele só disse isso uma vez, e encerrar a postagem sobre esse mito pegando no pé dele seria muita maldade. Não que precisemos falar coisas boas sobre ele o tempo todo. Afinal de contas, eleito o maior piloto da Nascar de todos os tempos, ele é daqueles caras cujo o currículo fala quase tudo. E as lembranças de quem viu, se encarregam de falar o que falta...

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