sábado, 8 de outubro de 2011

Famosos antes e depois da morte


  Se existe algo que muda a personalidade das pessoas, certamente, é a morte. Não, não estou falando apenas de deixá-la eternamente calada, mas sim, da maneira como todos os seus pecados são esquecidos quando o infeliz morre, afinal, “ele era tão bom...”
É claro que as vezes as pessoas realmente não percebem a importância de uma pessoa enquanto esse alguém não veste o paletó de madeira. Houveram, por exemplo, inúmeros casos onde a genialidade de alguém só foi percebida anos depois de sua morte. Quantas pessoas não morreram chamados de loucos enquanto diziam coisas que mais tarde se tornariam óbvias, como “A Terra é redonda!” ou algo assim?

Agora, quando o sujeito que morre já era famoso vivo...
Na maioria dos casos, o que acontece é uma valorização instantânea do nome do famoso em questão, um momento em que sua carreira parece ganhar um fôlego extra, e o morto se torna, na hora, uma grande celebridade, amada por todos, alguém que deixou apenas obras boas para a humanidade, mesmo que um dia antes dele morrer, a sua imagem perante a população fosse exatamente o contrário. Ao que parece, a melhor coisa que pode acontecer na carreira de um famoso é... Morrer.
E como o blog adora listas, nada melhor do que pegar carona na morte de mais um famoso (Steve Jobs, falecido na semana em que estou escrevendo isso) e fazer uma singela listinha de “antes e depois” de alguns famosos... Antes e depois da morte.


Jesus Cristo
De falso-profeta a salvador

Hoje unanimidade entre milhões e milhões de cristãos (e até pessoas de outras religiões), Jesus de Nazaré não teve vida fácil, pelo menos, não antes de morrer. Afinal, uma pessoa cujo a galera decide soltar um bandido para crucificá-lo em seu lugar definitivamente não devia gozar de uma reputação muito boa. Jesus foi, ao longo da vida, perseguido, atacado, ironizado, entre outras situações não muito carinhosas por parte das outras pessoas. Logo que nasceu já tinha gente tentando matá-lo... A Bíblia deixa a entender que Jesus tinha sim seus seguidores e aqueles que acreditavam nele, mas esses eram uma minoria. A maioria das pessoas tinha opiniões que variavam entre o “louco” e o “mentiroso”, “charlatão”, enfim, todos os adjetivos que você daria hoje a um homem que alegasse ser o legítimo filho de Deus (Inri Cristo que o diga).

Para piorar, Jesus ainda era visto como um problema para as autoridades, uma fonte perigosa de idéias muito justas, que poderiam se opor ao sistema, e mais, era uma figura extremamente carismática , mais até do que os governantes. E isso não era bom. Tudo o que ninguém esperava, de fato, era que o grande momento da vida de Jesus seria exatamente como se deu a sua morte e o que aconteceu depois. Crucificado, morto, pelo simples fato de não ter feito nada de errado e dizer as pessoas para também não fazerem, Jesus, acreditam os cristãos, ressuscitou ao terceiro dia, comprovando sua santidade. A partir daí, sua já crescente popularidade só fez aumentar, ganhou o mundo todo e continua firme e forte mais de dois mil anos depois. Jesus passou a ser amado por todos, incluindo, aliás, as autoridades que tanto o odiavam, que acabaram vendo na imagem dele uma ótima maneira de controlar multidões. De uma hora pra outra, o problema se tornou a maior solução de todos os tempos, e o homem em que quase ninguém acreditava, se tornou o homem mais influente da história...

Senna
De irresponsável a símbolo nacional

Ayrton Senna, quando vivo, nunca foi o amor de pessoa que vemos hoje, nas incontáveis vezes em que a TV mostra  imagens dele no programa da Xuxa, sorrindo e brincando com as crianças. Muito pelo contrário. Sua personalidade não era muito diferente da personalidade do Fernando Alonso, conhecido por seu jeito marrento e avesso a imprensa. Senna, aliás, chegou a fazer greve e ficar um bom tempo sem falar com jornalistas, quando esses o desagradaram.

Ah, e entre os pilotos, Senna tinha fama de ser totalmente inconsequente e irresponsável. Não tinha a menor vergonha de fechar quem estivesse ameaçando sua posição, fazia manobras absurdas e ultrapassagens em pontos pouco favoráveis e muito arriscados. Em suma, ele fazia exatamente o que o Schumacher fazia, mas já naquela época, para os brasileiros, enquanto Schumacher era o Dick Vigarista, Senna “tinha personalidade”. Quando ele morreu, essa idéia do Senna Speed Racer que sempre jogava 100% limpo nas corridas só ganhou mais força.

Para Alain Prost, Senna não tinha o objetivo de vence-lo, apenas. Ele queria destruí-lo. E tentou, mais de uma vez... Os pilotos sempre viram com maus olhos a maneira como Senna buscava a vitória independentemente dos meios.

Mas quando ele morreu, de forma trágica, ao vivo diante de milhões de olhares no mundo inteiro, tudo isso deixou de existir. A imagem de Senna no Brasil, antes da morte, era a de um herói no esporte. Depois, passou a ser a de um símbolo nacional. Ele passou a ser visto como um piloto que tinha competição correndo no sangue, buscava a vitória até o fim, tímido, calado, e claro, muito bondoso. Não que ele não fosse tudo isso... Mas, entre os defeitos e qualidades (que todos temos, e muitas vezes, acabam se misturando entre si, como no caso da competitividade exacerbada de Senna), a balança sempre pesou pros defeitos enquanto ele era vivo, e pras qualidades, depois que morreu...

Michael Jackson
De pedófilo a vítima

O maior astro pop de todos os tempos viveu períodos de auge incomparáveis alternados com algumas situações lamentáveis. A verdade é que, entre inúmeras polêmicas e hits avassaladores, Michael passou praticamente a vida inteira diante dos holofotes da mídia. E esses holofotes nem sempre estavam procurando passos de dança maneiros.

E entre essas polêmicas, nenhuma se notabilizou mais do que as acusações de pedofilia que o astro sofreu. Nos últimos anos de sua vida, poucas vezes ele apareceu na mídia por motivos diferentes de novos problemas com a justiça. Aliás, só passou a aparecer por motivos diferentes quando ficou evidente a sua ruína financeira. Michael Jackson veio a servir até de inspiração para inúmeras piadas. E quando se preparava para dar a volta por cima com uma nova turnê... Morreu.

Tudo bem que ele não esperava isso, mas morrer o colocou de volta no pedestal de gênio da música, e seus antigos (e até novos!) hits voltaram a bombar em todas as rádios. E se Michael estava praticamente declarado culpado pela população antes de morrer, seu corpo nem havia esfriado e ele já estava absolvido de todas as acusações. A imprensa começou a mostrar o outro lado da história, o lado solitário e inocente de Michael Jackson e passou a defendê-lo das acusações, ao invés de endossar o coro. Exatamente o contrário do que fazia! Ninguém jamais se preocupou em entender o que fazia aquele homem ser tão excêntrico. Não enquanto ele estava aqui, querendo falar, sem que ninguém ouvisse...

Cazuza / Amy Winehouse
De maus exemplos a incompreendidos

Antes de morrer, Cazuza era um drogado, gay (lembrem-se que estamos falando de uma época ainda mais preconceituosa do que hoje), maconheiro, mimado, revoltado, bêbado... Em suma, os pais viam nele tudo o que não queriam para seus filhos. Não muito diferente de Amy Winehouse, que até poucos meses atrás, era uma cantora drogada e alcoólatra que esporadicamente tinha surtos bizarros e dava exemplos errados aos jovens.

Quando ambos morreram (bom ressaltar, vítimas de seus próprios abusos), a coisa toda se inverteu, e eles viraram meras vítimas de uma série de problemas maiores. Aliás, não apenas vítimas, como vítimas incompreendidas, gênios que deveriam ter sido melhor tratados e valorizados, mesmo que fosse na marra, a despeito do fato de que eles não queriam ser tratados... E é ai que mora o problema.

Tudo bem, é verdade que ambos eram realmente vítimas de problemas maiores, como as drogas, por exemplo. Mas isso sempre foi evidente, e ninguém os tratou como vítimas enquanto eles estavam vivos. Os tratavam como culpados, vítimas, no máximo, de sua própria vontade e irresponsábilidade. Enquanto eles eram vivos, todos sabiam de seus problemas e... Bem, dava muito mais audiência fazer piadas, julgar, mostrar os barracos armados ou simplesmente falar mal, e foi exatamente isso o que a mídia, e por consequência, o povo, fez.

Che Guevara
De matador a herói

O herói mór da América Latina, o guerrilheiro cujo a foto com o olhar perdido no horizonte estampa centenas de muros, camisetas, capas de discos, aquele mesmo cujo as frases se tornaram lema até de times de futebol, talvez não fosse o herói de tanta gente, se estes houvessem morado em Cuba algumas décadas atrás...

Che Guevara não foi, ao longo de toda a sua vida, um mochileiro cheio de sonhos e ideais como retratado em “Diários de Motocicleta”. Ok, pode até ser que ele tenha sido, mas isso não o impediu de cometer erros e dar algumas mancadas. Que tal afundar a economia de Cuba em pouquíssimo tempo (o que é mais culpa de quem o colocou no comando de algo que não dominava do que dele próprio, verdade seja dita)? Ou que tal matar uma criança a sangue frio, com um tiro pelas costas? Aliás, não se envolveu apenas na morte desse pobre menino, estando diretamente envolvido em mais de 140 mortes. Ah, Che também chegou a enganar alguns parceiros, odiava rockeiros e foi capaz de ordenar a morte de pessoas que tivessem o azar de parecerem preguiçosas... Um Che não tão heróico quanto o Che que o tempo se encarregou de moldar...

Adolf Hitler
De condutor da nação a demônio

Hitler é visto hoje em dia, pelo menos pela maioria das pessoas, como o grande vilão da história da humanidade. As barbáries que cometeu, todo o banho de sangue pautado em suas idéias preconceituosas chocaram e continuam chocando o mundo inteiro, incluindo os alemães, até hoje.

Autor de inúmeros crimes contra a humanidade, é o grande exemplo as avessas dessa lista. Enquanto os outros só viraram unanimidade depois de morrerem, Hitler perdeu esse posto quando decidiu cometer suicidio. Sim, para o povo alemão, o "Führer" os estava conduzindo diretamente à glória, para que pudessem apagar os vexames do passado e se tornar a nação que mereciam ser. Dono de uma inteligência e uma habilidade para liderar fora do comum, ele conseguiu fazer a maioria do seu povo comprar suas idéias, enquanto usava cobaias humanas para avançar a medicina (e avançou muito, por sinal), mandava criar um carro popular (pelo menos nos deixou o fusquinha de herança) e se tornava um dos pivôs do maior conflito armado da história...

Essa popularidade, no entanto, deixou de existir tão logo acabou a guerra. Ainda existem, sim, pessoas que seguem as idéias nazistas, mas é evidente que na maioria do mundo, Hitler se tornou um ótimo exemplo do tipo de pessoa que nós não queremos ver chegando ao poder. Muito disso se deve ao fato de que o vencedor da guerra é quem conta a história no final. Então, por mais que as barbaridades tenham acontecido de ambos os lados, nos acostumamos com a versão em que Hitler era o grande vilão de um conflito onde, na verdade, nenhum dos lados era exatamente o que podemos chamar de misericordioso e justo. Que o diga a cidade de Hiroshima...

3 comentários:

  1. Anjo e eu penso da seguinte forma ,morreu, mas deixou um legado das maldade que antes fizera. Para mim esta historia que a pessoa desencarnou virou santo é só para aqueles que pensam que Deus castiga.Se era ruim quando vivo continua o mesmo depois de morto só mudou de estado ser e estar .Abraços.Kaoma

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  2. Perfeito! gostei muito deste post parabens!
    Infelizmente as coisas funcionam dessa forma no mundo todo ou em grande parte dele, aqui no Brasil realmente a aberração cultural é medonha temos a televisão que fabrica "celebridades" minuto a minuto e o povo ignorante e imbecil, desprovido um minimo de inteligencia e disposição para pesquisar o que realmente esta acontecendo com a historia, só sabem repetir como papagaios o que a mídia seleciona, basta falar mal de politico para se ser politicamente correto, o que não se pode de maneira alguma é falar mal dos bombeiros do papai noel e do corinthians !e tome Funk !!!!

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  3. Gostei deste post .Principalmente em relação a Michael Jackson . Este sim foi o genio incompreendido e injustiçado .Infelizmente não o pouparam de críticas e descobrimos muitas VERDADES tarde demais ! MICHAEL NÓS TE AMAMOS . O REI DA MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS! De : walker jackson .

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