quinta-feira, 22 de março de 2012

Parque da Mônica

A postagem de hoje não vai adicionar nada em sua vida. Então se você entrou neste humilde espaço querendo entender as diferenças entre as ideias lamarckistas e darwinistas, a teoria do tudo, ou em busca de qualquer outra informação minimamente produtiva, sinta-se à vontade para explorar o blog e procurar outro texto, que não este. Eis aqui um texto meramente saudosista (veja bem - pra mim) que pode ser entendido como o mais simples papo furado.

Agora que estamos entendidos, vou dizer o tema do texto. Continuar a ler sobre algo tão polêmico fica por sua conta e risco: Falarei sobre a Turma da Mônica.

Eu aprendi a ler com a Turma da Mônica. Na verdade, foi com as tias do jardim de infância, mas a Turma da Mônica ajudou também. Mamãe comprava muitos gibis pra me incentivar a ler, e talvez por conta disso, enquanto muitos dos meus amiguinhos ainda estavam tentando decorar que o “C” vem depois do “B”, eu já lia gibis inteiros sem precisar de ajuda. Diz a lenda, aliás, que meus textos de hoje em dia não são muito melhores que os de quando eu entrei na primeira série, e se estiver certo, isso explica muita coisa.

E eu adorava esses gibis, especialmente a Turma do Chico Bento, mas isso não vem ao caso, e o fato é que eu pulava de alegria quando alguém (em geral minha mãe ou meus tios) chegavam do serviço com um gibi novo pra mim, ou quando um dos meus avós me dava R$ 1,00 para eu mesmo ir até a banca comprar um (a propósito, naquela época R$ 1,00 me parecia muito mais dinheiro do que R$100,00 me parecem hoje, embora eu continue igualmente pobre já que vocês nunca clicam nos anúncios – brincadeira hehe). E por gostar tanto, minha mãe resolveu que seria um bom investimento me colocar naquela excursão.

Com 6 anos de idade, eu não sabia quando eu iria para excursões ou não. Aliás, eu não sabia nem o que era uma excursão, sabia apenas que as vezes a tia do transporte escolar vinha me buscar mas não me levava pra escola. Eu nem reparava que isso geralmente acontecia quando eles vinham me buscar nos finais de semana, muito porque eu ainda estava começando a entender a diferença entre os dias que eu ficava brincando em casa e dos que não me deixavam fazer isso.

No dia que eu fui não tinha um porteiro tão maneiro
Aquele era um dia desses e quando eu dei por mim, só o que eu ouvia era “Parque da Mônica” daqui, dali e dacolá. Eu já tinha ouvido falar do Parque da Mônica, até porque naqueles tempos de inauguração do parque em São Paulo, muitas das histórias da Turma se passavam lá (mais tarde eu mudaria o nome disso de “Bacana, eles vão no parquinho" para “Marketing disfarçado de historinhas”). Eu só não sabia que o parque existia mesmo! Foi uma baita surpresa, e o que mais me encantou era o fato das tias serem muito legais e estarem levando todos nós lá (e admito que fiquei levemente decepcionado quando soube, anos depois, que minha mãe – obviamente – tinha pago por isso).

Depois de uma baita enrolação para sairmos do ponto de encontro (na frente da escolinha), começamos a gigantesca viagem até o Shopping Eldorado, onde o parque se localizava na época (dois toques: 1- não faço ideia se o parque ainda fica lá, se o parque ainda existe ou qualquer informação do tipo e 2- Não me sinto mal em fazer marketing gratuito pro Mauricio de Sousa porque ele me responde no Twitter e pra mim isso – vindo dele - basta). As pessoas que não moram em São Paulo talvez não tenham uma noção muito boa das distâncias entre certos pontos da cidade, mas devo dizer que me acostumei a ir para a faculdade que fica à 85km de casa, e continuo achando o Parque da Mônica longe pra dedéu, ainda hoje. É longe, e se eu tivesse que colocar numa kombi (sim, transportes escolares daquela época eram kombis) um monte de crianças entre 4 e 6 anos ávidas por chegar logo para brincar, eu providenciaria uma fita K7 (que também era comum na época, jovem gafanhoto) com uma gravação da minha voz respondendo “Estamos quase chegando...” a cada 15 segundos.

Passada a torturante espera, chegamos ao parque. A primeira coisa que me deixou impressionado não foi, nem de longe, o tamanho do parque ou as atrações. E sim o fato de que eu estava SOZINHO! Eu não me lembro bem de quase nada que eu tenha realmente dito ou pensado naquele dia (o que é óbvio, eu tinha 6 anos!), mas me lembro muito bem de um pensamento: “Ué, ninguém vai cuidar de mim!?” - Foi o que pensei enquanto observava os tios soltarem todas as crianças saírem correndo ensandecidas para os brinquedos, enquanto os tios e tias do jardim me deixavam lá parado como se eu não estivesse correndo pros brinquedos apenas por ser extremamente calmo e paciente, e não pelo fato de eu estar esperando que eles me levassem em cada um dos brinquedos como minha mãe teria feito.

Bom, quando percebi que estava à própria sorte (ou pelo menos pensei estar), resolvi fazer a única coisa que pode ser feita numa hora dessas: Brincar. E lá fui eu. Devo ter perdido umas boas horas andando pelo parque, sem brincar em nada, apenas olhando os outros brincarem - uma mania que me persegue até hoje quando vou em uma balada nova ou algo do tipo – para só então ganhar a ousadia de ir em alguns brinquedos.

Pedir que eu me lembre de quais brinquedos eu brinquei é sacanagem, mas me lembro que os que pareciam mais legais eu não podia entrar, ou por serem “só para os pequenininhos”, ou por serem “só para os grandes”, como diziam os funcionários. Dos que eu fui, destaque para a piscina de bolinhas, onde quase morri afogado e de onde fui expulso por um menino com o triplo do meu tamanho (só porque eu joguei uma bolinha na cabeça dele, foi ali que eu comecei a entender porque minha mãe me orientava a não jogar objetos nas cabeças alheias) e uma espécie de circuito que era um dos brinquedos mais badalados do parque. Basicamente ele era um caminho em que cada parte consistia num brinquedo diferente, como cordas onde tínhamos que nos equilibrar, cama elástica onde devíamos passar pulando, um labirinto, etc. Aliás, não posso deixar de mencionar que me perdi nesse labirinto e fui salvo por um coleguinha que descobriu o óbvio: Para sair do labirinto bastava andar em linha reta, da entrada até a saída, visível do outro lado, já que não havia curvas a menos que você quisesse virar.

Depois de brincar por algumas horas, uma mão simplesmente passou e me levou para uma sala escondida. Não, eu não seria abusado sexualmente, era apenas uma das tias me resgatando para lanchar com o resto da turma. Isso permanece um mistério até hoje: Como eles conseguiram encontrar todas as crianças tão rápido naquele parque é algo que eu nunca entendi. O lanche em si não tinha nada de especial: Pão com mortadela, refrigerante, e uns docinhos de sobremesa. Nada saudável, mas ninguém reclamou, até porque era uma época onde as crianças brincavam de verdade e normalmente não tinham hipertensão arterial ou outras complicações relacionadas ao sedentarismo. Nesse lanche, uns atores com aquelas fantasias de personagens apareceram por lá pra brincar com a gente enquanto comíamos (má ideia, eu sei). Por algum motivo eles não vieram brincar comigo, o que foi um alívio, já que eu sempre odiei esses caras (“Ah mãe, é só um homem barbado fantasiado, sai pra lá!” - era o que eu dizia pra minha mãe quando ela perguntava se eu queria ir falar com o cara vestido de Banana de Pijama ou qualquer outra coisa).

Saim pra lá com esses sorrisos!

Depois do lanche, não aconteceu nada de muito interessante. Aliás o lanche foi praticamente na hora de ir embora. O caminho de volta foi recheado de histórias malucas das crianças, cada uma contando o que aprontou (a única boa história que eu tinha pra contar foi a minha experiência de quase morte na piscina de bolinhas, mas as outras crianças contavam algumas coisas realmente assustadoras). Ah, também lamentei muito por ter saído quase que zerado de lembranças do parque. Certo, a maioria das lembranças que as crianças levaram consistia em bexigas estouradas e bolinhas da piscina (obviamente roubadas, e enquanto eu achava errado terem pego as bolinhas, os adultos pareciam achar muito engraçado, e foi ali que eu tive meu primeiro contato com a frustração promovida por uma praga chamada “impunidade”). De lá, eu levei só umas balas que sobraram do lanchinho e a lembrança daquele dia, pro resto da vida. Hoje eu acho que levei pra casa o que tinha de mais importante.

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