terça-feira, 12 de junho de 2012

Corneta: Dia dos Namorados


Ah, o amor está no ar. Hoje, dia 12 de Junho é o dia dos namorados e eu estou aqui para te lembrar de que pelo menos o seu videogame ainda te ama.
Mentira, não vou fazer isso, também não vou ficar devaneando sobre o amor, e o foco desse texto na verdade está na pura cornetagem (giria para "falar mal, muitas vezes sem motivo") sobre a maneira como as pessoas encaram esse dia. Parece que o amor não está no ar, está na cabeça, e principalmente no ego, das pessoas.  Já reparou nos seus amigos nessa época do ano? Aqueles amigos pombinhos lembram-se do quanto vivem relacionamento é lindo, apesar das brigas e outras dificuldades afins, e os solteiros, dependendo do perfil, desdenham de relacionamentos, exaltam as qualidades da solteirice, ficam carentes e saudosistas, ou começam uma campanha desesperada para arrumar alguém para trocar presentes. Vale tudo, desde finalmente dar bola pra aquela pessoa que foi esnobada o ano inteiro, fazer campanha no Facebook, frase provocativa no MSN, mudar o penteado e usar roupas mais coladas (ou não). E mais recentemente, fazer a festa de agencias de namoro e sites de relacionamentos (sites especializados em formar casais, não confundir com redes sociais).
Esses sites, pra você que tem uma vida e nunca precisou disso (brincadeira), funcionam mais ou menos como aquele programa do Silvio Santos, “Em Nome do Amor”. Na prática é tão brega quanto, mas não tem a parte de se expor diante de milhões de pessoas do Brasil inteiro, o que diminui em várias ordens de magnitude o fator “mico” dessa estratégia.
Falando em estratégias inusitadas, isso é o que não falta, pois como sabemos bem, a criatividade do ser humano é ilimitada quando o assunto é “mico”. Temos desde coisas pequenas como correntes de email, até declarações mais espalhafatosas envolvendo mexicanos, faixas na entrada da cidade, serenatas cantadas com toda a desenvoltura de um típico cantor de chuveiro e todas essas coisas que fazem o “diferencial” desses carros de mensagens de amor. A propósito, se você alguma vez na vida já cogitou ligar para um desses para homenagear o seu amor, espero que esteja completamente sozinho e esquecido nesse dia dos namorados. Bem feito.
Dependendo da ótica, o dia dos namorados é como um dia das crianças: Quando somos crianças, ganhamos presentes e ficamos com a duvida de que, se no ano que vem, voltaremos a ganhar. Se você deixar de ganhar um ano, acabou. No dia dos namorados, é igual, com a diferença de que se você não ganhou, no ano que vem você pode dar a volta por cima.
O efeito dia das crianças continua quando as pessoas ganham presentes: Algumas se gabam de como são amadas e exibem seus maravilhosos presentes por ai. Outras não ficam tão exibidas, mas continuam se exibindo pelo simples fato de terem ganho presentes, e afirmam (geralmente com razão), que a intenção é o mais valioso. E tem os que não ganham presentes, que não se exibem pra ninguém. Aliás, alguns até tentam.
Você muito provavelmente tem algum amigo que pensa que é o James Bond. Na cabeça dele, onde quer que ele vá, pode ter a mulher que quiser bastando dizer o seu nome de forma pomposa. Ou algo do tipo. Das duas uma: Ou ele vai gabar-se de não precisar dar presente pra ninguém, ou, em casos de ser um Bond mais oportunistas, se aproveitará da carência coletiva para conseguir alguma coisa. Não se engane: Na maioria dos casos, tratam-se de meros Jhonny Bravo’s, querendo viver um amor enquanto bancam os garanhões.
Também temos o efeito “o que ela / ele tem?”. É o popular: “Pô, mas até fulana (o) é feliz no amor e eu não consigo desencalhar!”, aquele momento em que seu ego começa a desconfiar que seu status no perfil do Facebook não casa com a imagem que ele vê no espelho. É um nó emocional que a pessoa se dá, um verdadeiro paradoxo: A pessoa consegue, ao mesmo tempo, sentir pena de si mesma e ser arrogante.
O dia dos namorados, hoje em dia, se parece mais como um remédio que desperta o lado adolescente egocêntrico das pessoas. Se você tem um namorado (a), está completo. Se não tem, não está nas paradas. E é aberta a temporada de caça ao amor, assim como no Natal todos ficam caridosos, e no dia das mães todos valorizam a sua senhora. Pra você que sente-se triste por estar sozinho, e principalmente, pra você que correu atrás de um amor para não passar esse dia sozinho (a), vou dizer o que sempre digo: Se uma data define a maneira como você age ou como você é, bom, talvez seja a hora de rever algumas coisas.
O ruim não é estar sozinho, nem mal acompanhado. O pior é estar sozinho e mal acompanhado. Se é que você me entende...
Ah, antes que eu me esqueça: Não leve tão a sério um dia que é comemorado na data errada... 

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