quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Mundo de Beakman


FATO: Se você foi criança nos anos 90, vai reconhecer imediatamente o bordão a seguir (se é que ainda não reconheceu):
"Eu sou Beakman. E você acaba de entrar no Mundo de Beakman..."

Pois é amigos. Nos anos 90, tínhamos coisas muito legais, mas que não nos ensinavam coisas tão legais assim. Aprendíamos a quebrar a cara dos outros assistindo "Karatê Kid", aprendíamos sobre o Tinhoso quando ouvíamos as musicas da Xuxa de trás pra frente e aprendíamos sobre relações sexuais assistindo "A Lagoa Azul". E em meio a tudo isso, alguns programas de TV nos ensinavam coisas boas para equilibrar a balança e evitar que o mundo se tornasse um pandemônio em 2012 (talvez não tenha funcionado tão bem).
E entre esses, havia um que talvez seja a razão de existir desse Blog: O Mundo de Beakman. Ainda que eu realmente não me lembrasse muito do Mundo de Beakman quando criei esse blog, eu me inspirei em uma coisa que eu aprendi com esse programa: O segredo para explicar algo é entender sua complexidade, para poder simplificar.
E é isso que  eu vou tentar fazer agora, para explicar para os jovens gafanhotos que não sabem do que eu estou falando, como eram as melhores aulas de ciências que uma criança podia ter...


Badadin. Badabén. Badabum...

Direto ao ponto: O programa começava e nos deparávamos com dois pinguins (Don e Herb) assistindo TV, no pólo sul. A informação é menos irrelevante do que parece, pois esses dois pinguins já eram um primeiro passo num dos pontos principais do programa: fazer a criança se sentir parte do programa. Os pinguins  representavam nada menos do que as próprias crianças assistindo e comentando o programa. Pois bem.

O programa em si tratava de Beakman, um professor / cientista, sua assistente Josie (mais tarde, Liza, e depois, Phoebe) e Lester, um ator desempregado que fazia bico como rato de laboratório (não é uma informação real, é apenas a descrição de Lester dentro do programa. O ator provavelmente tinha “ator” registrado em sua carteira de trabalho e recebia em dia...). Em um cenário meio caótico, com todo o tipo de tralhas espalhadas por todos os lados, meio underground, Beakman respondia perguntas enviadas pelas crianças (as cartas eram de crianças reais, mas na versão em português lhes eram atribuídos nomes fictícios para fazer alguma brincadeira sobre o tema) através de observações, experimentos (muitos deles podiam ser reproduzidos em casa, com objetos triviais do nosso dia a dia), jogos e outras maneiras lúdicas de explicar diferentes temas da ciência.

A coisa pode parecer até meio clichê agora, mas o diferencial estava na forma como o programa deixava as crianças literalmente “em casa”. Havia uma maneira única de inserir a criança naquele ambiente e chamar sua atenção, em detalhes quase imperceptíveis como o cenário: Com pouquíssimos ângulos de câmera, a criança acabava por conhecer facilmente toda a “Central de Conhecimento” (como Beakman chamava o cenário) e sentir os personagens mais próximos. Haviam outras jogadas espertas, como os efeitos sonoros (um episódio de meia hora chegava a utilizar mais de 5000 efeitos sonoros diferentes. Isso mesmo que você leu: 5 mil!).

E claro, as experiências! Algumas eram realmente super simples de serem feitas, e a maioria garantia algumas gracinhas com seus pais ou outros adultos quaisquer que lhe dessem um pouquinho de atenção. Beakman não apenas ensinava e te convidava a fazer a experiência, mas também mostrava o que acontece, por que acontece e como acontece. A melhor maneira de aprender algo novo, não acham?
Apesar de não ter um tema específico e falar sobre temas totalmente diferentes uns dos outros (como esse blog, hehe), Beakman afirmava não saber tudo - Apenas sabia onde encontrar as respostas (e naquela época o Google ainda não existia).

E para encontra-las, Beakman acabava por interpretar outros personagens durante o programa, como cientistas famosos do naipe de Isaac Newton ou Albert Einstein, de forma que eles próprios explicassem suas teorias (de uma maneira bem caricata, obviamente). Por outras vezes, assumia o papel de personagens fictícios, caso fosse necessário.  Entre os quais, destaque para o professor Chatoff, uma paródia da maneira tradicional, e por vezes tediosa, de explicar as coisas que Beakman explicava, o Frango Fajuto, que ganhava vida nas mãos (e dedos) de Lester e até uma  “Beakmãe”. As vezes, a própria mão do câmera, Ney, participava do programa, dando uma “mãozinha” para os personagens.

Basicamente, o programa se pautava em 3 pilares: Linguagem direta e simples, totalmente voltada para o telespectador; fazer a criança sentir-se parte do programa e, claro; senso de humor. Assim era aprender ciências no Mundo de Beakman!

O programa ainda era rico em jargões (“Tudo vai para algum lugar!”, “Parem! Parem tudo! Estão ouvindo esse som? Está na hora do Desafio de Beakman!”), e em situações em que Lester tinha que, digamos, fazer o trabalho sujo, o que garantia um toque de humor ao programa.

No Brasil, era transmitido pela TV Cultura (teve uma passagem rápida pela Record) e é desses programas que deixava um gosto de “quero mais” quando acabavam, naqueles longínquos tempos pré-youtube onde nossa única opção era esperar o programa do dia seguinte. O Mundo de Beakman era apresentado pelo ator Paul Zaloom (e agora uma informação que pode decepcionar alguns inocentes: Ele não era um cientista de verdade), com Mark Ritts (O Lester era formado em Harvard, e faleceu em 2009, vítima do Câncer), Josie (Alana Ubach), Liza (Eliza Schneider) e Phoebe (Senta Moses). Com a supervisão de muitos aspirantes a cientistas, que não perdiam um programa, em frente as suas TV’s ao redor do mundo todo...





3 comentários:

  1. Muito legal a lembrança...
    Eu estou revendo o Beakman, atualmente, no Netflix! Tem todos lá!!
    Grande blog, parabéns!

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  2. Obrigado! Mas ainda falta muito, a começar por um slogan legal como o do seu, haha

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  3. Parabéns pelo blog. Graças a DEUS, no meio de muita porcaria, caminhando por esse campo minado que é a internet, finalmente me deparo com um espaço de assuntos tão úteis como esse do Mundo de Beakman. Simplesmente um programa sensacional. Muitas saudades dessa época de pré-adolescência. Abraços. Continue fazendo a diferença.

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