segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O que as campanhas nas redes sociais não dizem sobre o aborto

Em primeiro lugar eu não espero ganhar a simpatia de ninguém com esse texto. Devo perder a de algumas pessoas mas faz parte.
Segundo lugar: Não estou escrevendo esse texto como ataque a ninguém e nem com alguma pessoa especifica em mente. É um assunto que está em pauta e enquanto não trazerem a maravilinda ditadura militar de volta, tenho direito de me expressar.
REPITO: Esse texto não tem alvos diretos. É SÓ A MINHA OPINIÃO então não fique de bico comigo. E se ficar tambem azar o seu. Vou falar sem embelezar nada.
Bom, vou começar com uma estatistica importante que vocês estão esquecendo: Sabem quantos bebês são salvos todos os anos pela inconstitucionalidade do aborto? Nenhum. Nenhunzinho. Zero. None. 0.
E sabem porque? Por causa dessa outra estatística: estima-se que só em 2014 foram realizados cerca de 850.000 abortos em clinicas clandestinas no Brasil.
Essa estatistica vai de encontro com outra que ninguém está lembrando: Em 2014, morreram cerca de 2 mulheres realizando abortos clandestinos - POR DIA. Aham, todos os dias, dois abortos clandestinos terminaram com mulher e bebê embalados na caixa.
O que quero dizer com tudo isso é que pouco importa o que o governo - ou a sua timeline - diga: A mulher que tiver que abortar vai fazê-lo. E da maneira que está, elas fazem arriscando morrer junto ou ter sequelas, sem nenhum apoio, sem nenhuma segurança, sem nenhuma orientação ou suporte.
Você pode rodear mas essa é a realidade. É uma realidade rude, dura e cruel, mas me diga: Você não conhece ninguém que ja abortou?
Eu sei que seu filho é a melhor coisa que já te aconteceu na vida. Eu sei que ele é a maior alegria que você tem e eu sei o nó que dá na sua cabeça pensar como pode uma mulher abdicar dessa alegria.
Eu fico feliz por você e eu te entendo, parabenizo e me orgulho até.
Mas eu saio na rua. Eu sei que mulheres engravidam depois de serem estupradas. Eu sei que há mulheres morando numa calçada sem poder garantir o prato de comida dela no dia seguinte - quem dirá de um bebê. Eu sei que há vezes onde não há chances do bebê nascer vivo - e as chances da mãe morrer no parto sao elevadas. Eu sei que há outras situações. Piores.
Eu sei que nem todas as mães vão poder postar no Facebook uma foto de sua gravidez feliz e saudável com o marido do lado - porque não foi feliz, não foi saudável e o marido nao existe. E ela nem sobreviveu.
Não me entendam mal. Eu adoro crianças - na verdade, eu "brinco" (na verdade trabalho haha) com mais crianças num dia do que a maioria de vocês brincará na vida. Eu sou radicalmente contra toda e qualquer violência contra elas. Não quero um holocausto de bebês, que loucura.
Não sou a favor do aborto pra tirar uma vida.
Não posso falar de religião, cada um tem sua crença. Em algumas crenças aqui mesmo no Brasil, um bebê é considerado sem alma até que seja amamentado pela mãe, por exemplo.
Posso falar de ciência e o que se sabe é que antes da 6° semana o desenvolvimento esta tão "cru" que é muito dificil achar argumentos para dizer que o bebê já está vivo - a menos que vc considere ovulos e espermatozoides seres vivos tambem.
E até esse ponto, uma mulher com uma BOA razão deveria sim ter assegurado o direito de evitar gerar uma vida - para o bem dela mesma e para evitar o mal da vida que seria gerada.
Essa segurança não obrigaria ninguém a abortar ninguém. Você é contra o aborto? Voce teria o filho sob todas as adversidades? Nada muda pra você. Ninguém vai te agarrar, te levar no posto de saude e abortar seu filho na marra.
Você pode continuar com a sua opinião,  sua crença, seus ideais e sua fé. Mas você não deve achar que o que você pensa deve decidir o futuro de todos os brasileiros.
Cada um calça seus proprios sapatos e sabe onde seus calos apertam. A sua realidade é só sua. Abra sua cabeça, e entenda que há outras muito diferentes - que levam as pessoas a tomar decisões diferentes.

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