segunda-feira, 23 de março de 2015

5 Figuras históricas que podem nunca ter existido

Esses caras são muito famosos. Esses caras mudaram o mundo. As histórias sobre esses caras foram marcos da história. Esses caras mexem com a imaginação das pessoas desde criancinhas. Mas é provável que esses caras jamais tenham existido.

Esse blog gosta de questionamentos, então apertem os cintos da nossa nave da imaginação (adoro esse analogia do Carl Seagan) e vamos viajar pelo tempo, pra conhecer um Top 5 de personalidades históricas que podem nunca ter existido:

1- Rei Arthur

Até esse Arthur era mais real hein
Todos conhecemos a história do Rei Arthur. Sim, o cara que foi lá, tirou a espada da pedra e virou o Rei da Inglaterra. Muito se discute se a história da pedra é real ou não, mas poucos questionam se ele realmente foi o responsável por vencer 12 batalhas seguidas e botar os saxões pra correr durante seu reinado, que teria ocorrido entre os séculos V e VI;

E isso é estranho porque as referências ao Rei Arthur não aparecem nos registros reais até o século IX. E em fato a primeira descrição clara sobre ele é o livro "History of the Kings of Britain", e data do século XII - 700 anos depois do seu suposto reinado.

Mesmo a imagem de um grande cavaleiro que Rei Arthur carrega só surgiu com o livro "Le Morte D'Arthur", de 1485, escrito por Sir Thomas Malory. Muitos historiados acreditam até que algumas histórias contidas nesse livro (que era uma grande coletânia de histórias antigas) sejam reais, mas poucos acreditam que tenham sido vividas pela mesma pessoa, principalmente pela pessoa chamada Rei Arthur.

A história de Arthur provavelmente foi inspirada em algum rei guerreiro da antiguidade - talvez algum imperador romano, mas é muito difícil saber ao certo.

2- Pitágoras

Palavrões serão proferidos por todos aqueles que tiveram dificuldade em aprender o teorema, mas na medida que se sabe que a fórmula que ele criou é bastante confiável, a existência de Pitágoras pode ser colocada em xeque.

Pitágoras supostamente foi um filósofo e matemático que viveu entre o século V e VI A.C., e todas as suas descobertas são muito bem documentadas, não apenas no campo da matemática como em, bom, praticamente tudo na vida, já que era basicamente isso que os filósofos gregos estudavam. Mas o mesmo não se pode dizer sobre a própria existência dele.

Todas as referências sobre Pitágoras vem de seus seguidores. "Como alguém que não existe pode ter seguidores?" você se pergunta, e eu também acho sem sentido. Mas o problema é que o que os seguidores escreviam sobre Pitágoras também era, digamos, incomum: Coisas como dizer que uma das pernas de Pitágoras tinha uma coxa feita de ouro ou que ele era o filho do Deus Apolo em pessoa. Não parece muito fiável pra mim.

Ainda que ele tenha existido, ironicamente Pitágoras certamente não descobriu seu próprio teorema (ou pelo menos não foi o primeiro). Os egípcios já utilizavam a fórmula muito tempo antes.

3- Homero

A Ilíada e A Odisseia de Homero são dois dos livros mais famosos de todos os tempos, e mesmo que você nunca tenha botado seus olhos em uma linha deles, não tenha dúvidas de que já se deparou com algumas das histórias diretamente retiradas ou inspiradas nelas - como a lendária cidade de Atlântida pra ficar num exemplo fácil. E isso coloca Homero na posição de provável escritor mais importante da Grécia antiga.

Um cara tão influente deveria ter sido bem documentado entre os séculos VII ou VIII A.C., quando supostamente viveu. Não foi o caso. O que se sabe é que ele foi um homem cego que nasceu na ilha de Chios e praticamente só isso.

"E foi assim que descobiram que a gente não existe..."
Mesmo o fato de suas duas criações terem saído da sua própria cabeça é digno de debate e muitos afirmam que na verdade não passava de uma coletânia de histórias que até então eram contadas oralmente - as quais Homero juntou e transformou numa narrativa coerente, o que por si só ainda é digno de mérito.

Mas na verdade o que parece mais provável é que a pessoa (ou as pessoas) que fez esse trabalho achou por bem atribuir essas histórias a um único autor, ao invés de apresentá-las como um quebra-cabeças montada por ela mesma, de modo a aumentar a credibilidade da obra. E assim nasceu Homero.

4- Robin Hood

Um dos mais famosos integrantes do folclore medieval, isso é fato. Mas a história do bandido que roubava dos ricos para dar aos pobres é baseada em uma pessoa real ou não?

Bom, as primeiras histórias sobre Robin Hood parecem ter surgido entre o século XIV e XV, mas sabe-se que naquela região conhecida como Sherwood Forest os bandidos eram chamados de Robehod ou Rabunhod muito antes - uma espécie de gíria local, o que já explica muita coisa.

Pra piorar o quadro, Robin Hood nos relatos mais antigos era descrito como um líder de uma gangue comum, que era admirado apenas por peitar o odiado cherife de Notthingham. Depois, com o passar dos anos e o telefone sem fio, foi ganhando traços mais nobres, e até amiguinhos do bem como Marian e Friar Tuck.

Mais do que qualquer outro nessa lista, historiadores estão tentando procurar evidências do verdadeiro Robin Hood a séculos - e até agora ninguém apareceu como candidato nem da forma mais remota possível. Desde o herdeiro de um rei até um cavaleiro templário, a verdade é que supostas origens para Robin não faltam. Mas com o passar dos anos, mais e mais historiadores se convencem que o arqueiro nada mais era do que um mito sobre a luta das classes pobres contra a opressão.

5- Licurgo de Esparta. 

Licurgo derruba uma lágrima masculina ao ler meu texto
Esparta não nasceu uma cidade-estado poderosa e temida onde os reis bombados chutavam seus inimigos dentro de poços aos berros. Não, e foi (segundo contam) um legislador chamado Licurgo o responsável pela dura reforma das regras que regulavam tudo em Esparta - do casamento à maneira como as crianças deveriam ser criadas - e claro, uma rigorosa e totalmente nova maneira de treinar os soldados de forma a criar a maior máquina de guerra daquele tempo.

Os historiadores normalmente concordam que a chamada Reforma de Licurgo existiu de fato. Mas é engraçado que os mesmos historiadores costumam ser céticos sobre a existência do próprio Licurgo. Na verdade, tudo que acontecia dentro de Esparta sempre foi meio nebuloso, não por serem os machões insanos dos filmes e muito mais pelo fato de que eles não registravam nada da sua história em papeis ou qualquer forma de comunicação escrita. O que se sabe sobre eles é basicamente o boca-boca que sobreviveu, os relatos (e muitos boatos) escritos por outros povos e outras fontes duvidosas - muitas delas contraditórias.

O que se sabe sobre Licurgo é repleto de situações mitológicas de forma parecida a que vemos com Pitágoras, e o mais provável é que os Espartanos tenham criado a figura de Licurgo apenas para atribuir sua cultura a um único criador lendário.

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