sábado, 8 de agosto de 2015

Flicky: Um jogo pra HOMEM

Esse jogo tinha a capa mais feia da história do Mega Drive
  Na segunda metade da década passada, um debate muito forte surgiu e introduziu dois termos que até então, se existiam, não eram usados pela maioria dos jogadores: "Jogos Casuais" e "Jogos Hardcore". Foram anos e anos de brigas e discussões acaloradas nos fóruns de games sobre o que seria jogo de "gamer de verdade" e o que seria só um "joguinho casual".

  Esse assunto sempre me lembrou de um jogo, um dos jogos mais "hardcore" que eu conheço, e que a maioria dos jogadores de hoje tenderia a chamar de "casual". E é desse jogo que iremos falar hoje: Flicky.

 Salvando os Chirps

 Hoje relegado a um papel de coadjuvante menor nos jogos da série Sonic (não necessariamente ele, mas sim os membros da sua espécie, os Flickys, que foram escravizados e transformados em robôs do mal e bla bla bla), Flicky já foi estrela do seu próprio jogo, de mesmo nome, lançado em 1984 pra arcade, e depois portado pra várias plataformas (inclusive a Steam recentemente). Aqui estarei falando da versão de Mega Drive, que é a mais famosa.

Flicky já foi o protegido da Amy
 O jogo é um plataforma no sentido mais clássico da coisa, da época em que os jogos de plataforma eram realmente apenas uma tela com várias plataformas para que você pulasse entre elas. O objetivo aqui é, controlando o passarinho Flicky, levar os filhotes (chamados no jogo de Chirps) até uma porta em segurança. A dificuldade está no fato de que gatos (e lagartos, depois de algumas fases) estão soltos na fase e tentando filar uma bóia. Eles não atacam os chirps, mas podem separá-los de você, e claro, podem matar você se te pegarem. Para se defender, Flicky, além de ser consideravelmente mais rápido que seus inimigos, pode pular sobre eles e até arremessar alguns objetos que encontra pela fase.

 E é isso. Além do direcional, há apenas um botão (que serve para pular e arremessar) e tudo o que você faz é repetir o processo de salvar os chirps ao longo das cerca de 40 fases diferentes do jogo.

 Separando meninos dos homens, só que não. 

 A primeira coisa que se nota nesse jogo, logo de cara, é que trata-se de um jogo pra crianças. O visual, as músicas (a musica que toca durante as fases acabou ganhando um "remake" na minha cabeça com alguns palavrões direcionados aos gatos, que venceu o teste do tempo. Sou incapaz de jogar esse game sem cantarola-la), até a simplicidade, tudo parece ser voltado pra crianças pequenas (mais precisamente, meninas pequenas).

 A segunda coisa que se nota é que a primeira é uma grande de uma mentira.

Parece fácil, não?
 Flicky é um jogo difícil. Mais que difícil: É um jogo cruel. Sua simplicidade e infantilidade acabam no momento em que você pega o controle. Não é um jogo injusto: Os comandos são bons dentro de suas limitações, os inimigos não surgem do nada e o layout das fases não esconde grandes armadilhas. Os inimigos não apenas são mais lentos que o Flicky (os lagartos são bem rápidos, na verdade, mas não são muito numerosos - pelo menos não até onde eu cheguei), como também parecem seguir alguns padrões de movimento relativamente previsíveis.

 Na verdade, é difícil explicar por que esse jogo é difícil, É uma simples questão de "jogar pra ver". Flicky pode ser visto como a maior armadilha da história dos games: Você olha e vê um jogo bobo para crianças pequenas, que com certeza você pode vencer. Então o jogo pega sua confiança, rasga e pisa nela, colocando em xeque suas habilidades como jogador. No final, você se verá exatamente como uma criança pequena, comemorando por ter chegado até uma fase que nunca tinha visto.

 E o pior é que tudo isso é bem divertido. Flicky é um jogo muito simples, sim, mas também, muito divertido. Você joga, morre, e tenta de novo. E de novo. E de novo. E de novo. E pode passar horas tentando sem perceber - e talvez essa seja a marca de um grande game.

 Outros tempos

 Como um jogo de 1984, Flicky é um jogo do tempo em que o objetivo maior era marcar altas pontuações e não exatamente chegar até o final (e se eu tivesse percebido isso quando tinha meus 9 anos de idade, teria sido poupado de uma das grandes fontes de frustração da minha infância, que era não conseguir chegar no final desse jogo - feito que ainda hoje não consigo). Na verdade, eu não sei nem se esse joo realmente tem um final. Eu sei que depois da última fase (são mais de 40), as fases começam a se repetir (característica comum da época), só que com agora com uma dificuldade maior (céus!). Dizem que o jogo só termina depois de 256 estágios, mas eu sinceramente duvido que alguém tenha habilidade (e paciência) pra chegar lá.

 Eram tempos difíceis pros jogadores, mas igualmente divertidos, e o melhor: Tempos onde não havia essa frescura de dizer o que é game "de verdade" e o que é game "casual". Jogos eram jogos e ponto final.

 Para os pais de plantão, fica aqui uma dica: Quando seu filho te pedir um novo Call of Duty, que tal prometer o jogo como premio caso ele consiga chegar ao final de Flicky? É cruel, mas admita: Ver o pequeno tentando vai ser bem divertido.
Sim, esse é o Flicky do Sonic Adventure, mas não, eu não consigo chegar até o final de Flicky pra postar a imagem aqui.

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