quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Como se cria um terrorista?

Você sabe como você convence um adulto a amarrar uma bomba no corpo e explodir a si mesmo e a um monte de inocentes em nome de uma crença? É bem simples:
Você não convence. Com raras exceções, você faz isso na infância. É na fase de formação de caráter que você pode colocar qualquer coisa na cabeça da pessoa e ela tende a realmente se tornar aquilo que você diz que ela seja.
Sem escolha. Sem reflexão. Sem opção.
É por isso que eu sou contra os pais que obrigam seus filhos a seguirem a sua religião. Seja ela qual for. Eu sei que sua religião não comete (mais) essas atrocidades. Eu sei que você cria seus filhos do jeito que achar melhor. Mas eu não concordo. Respeito, mas não concordo.
Ensinar valores a uma criança e até o benefício da fé, tudo bem. Doutrinar a criança com o mesmo fanatismo com o qual você segue é outra situação bem diferente.
Não existe criança católica. Nem criança evangélica. Nem criança umbandista. Elas nunca tiveram escolha. Estão lá porque os pais lhes disseram que a sua religião é a certa.
Dizer que os filhos de um evangélico são crianças evangélicas, ou os filhos dos católicos são crianças católicas, abre margem para que se chame os filhos dos terroristas de crianças terroristas. Eles também não escolheram estar ali. Apenas estão seguindo aquilo que seus pais disseram que é certo. Você pode achar que seguir sua religião é o melhor para as crianças e que não há mal nenhum naquilo. Mas saiba que os terroristas pensam exatamente a mesma coisa. É aí que está o perigo.
E são crianças. Página em branco.
Meu apelo não é que você nunca leve seu filho na igreja. Não. Apenas que não o OBRIGUE a seguir nada. Não o faça andar, falar, agir e se vestir como uma miniatura de você mesmo. Não o faça seguir a risca o que seu padre ou pastor diz que os fiéis devem seguir: Deus não disse que o Reino dos céus pertence as crianças? Deixem que sejam crianças, livres das rédeas severas da religião (o que não deve se confundir com livres de regras, limites ou uma direção moral).
E deixem que elas escolham.
Não faça com o seu filho o que os pais das crianças do Estado Islâmico fazem com os deles.
Obrigado.

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