segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Não me lembro bem qual foi o professor que fez isso. Mas alguém colocou na minha mente que um bom texto nunca começa com "era uma vez". Bons contos de fadas começam assim. Textos não.

Vamos tentar:

And so, the story begins... 

Não. Isso é pior. É estado-unidensizado. Sei lá se essa palavra existe. Ah, quer saber, o blog é meu. Então vou começar como der na telha:

Era uma vez...

Pronto, já desfiz a injustiça com essa frase, o preconceito milenar que a cerca. Mas, era uma vez o que?

Hahahah deixa eu pensar... Já sei. Vamos fofocar. Meninas, acomodem-se: Lá vem uma fofoca. Vou contar pra vocês a história de dois amigos meus. Senta que lá vem história...

Era uma vez... Dois adolescentes. 15 anos. Acho que ela tinha 16. Tanto faz. Um menino, e ele não era nada diferente. Era um menino sem talento pra esporte, feio, que vadiava na sala de aula o dia todo. Era esperto, quando queria. É o que dizem, eu nao sei ao certo se era, mas sei que ele acreditava nisso, ah se acreditava. Ela era uma menina comum também, mas conforme ficava mais velha, demonstrava que ficaria muito bonita.



Eu simplesmente não me lembro como começaram a ficar amigos. Eles se conheceram na 5° serie, quando ele veio de outro horário, depois de ter apanhado de um menino bem mais velho. Nao fugindo, ele queria voltar lá e se vingar. A mamãe dele mudou ele de horário. Era o que ele dizia pelo menos... A bem da verdade ele era maluco. Faltavam 2 semanas pro fim do ano essa época e ele conseguiu a façanha de arrumar uma briga ainda maior no horário da manhã. Foi para casa de viatura, lembro muito bem disso, uma idiotice tremenda.

Bem, não vamos esquecer do que importa, e o que importa é que eles foram ficando muito amiguinhos. Demais, demais, demais mesmo. Nunca vi tanta amizade, fato. Se fosse um rico e um gay, seriam batman e robin. Eram um menino e uma menina, entao, sei lá... Não desgrudavam.

Ele fazia o tipo, como vou definir, o tipo, "dane-se" pra tudo, sabem? Fingia que não ligava pra ela, mas só pra não inflar o ego da coitada.

E conforme ela ficava bonita, os outros meninos acabavam demonstrando uma certa inveja. Ela não namorava. Teve um namorado que ficou com ela uns dois meses e não deu certo. E aqueles dois nao se largavam... É meu amigo, onde há fumaça...

Era o que diziam. E perguntavam. Muito. Eu perguntava. Eles negavam. Negavam. Negavam. Mas sabiam que eram o casal mais perfeito da sala. Se um dos dois nao sabia, era tonto. Tava na cara.


Lendária foi a reação do primo desse amigo, ao ver os dois se abraçando numa festa dessas da vida. O cara era do estilo pegadorzinho, sabem o tipo? Então... Imaginem o primo nerd desse cara abraçando demoradamente a menina mais bonita da festa (por que, arrumada, ela era muito bonita sim).

Os boatos aumentavam. Mas eles eram só amigos, diziam. Amigos? Você, caro leitor que parou pra ler essa biblia extenuantemente inutil, acredita em amizade pura entre homem e mulher, especialmente adolescentes?

Se sim, mande lembranças ao papai noel, e diga que eu ainda não esqueci que ele me trouxe um VHS do Toy Story quando eu pedi uma bicicleta aro 18''

Não havia amizade pura. Ela gostava dele.

Era uma tarde de sol qualquer, no meio da semana. Sabe essas tardes onde não ficam quase ninguém nas ruas, senão os pedestres figurantes que passam aparentemente apenas para enfeitar a cena? Então.

Lá estavam eles, conversando sob a sombra de uma árvore do outro lado da rua dela. Ele e sua super fucking great master bicicleta que a avó havia comprado e ajudado a "tunar". Chutando baixo, aquela bicicleta deve ter custado uns 800 reais para a pobre senhora, entre o preço da própria bike e as baianag... digo, os acessórios. Era uma bela bike. que o neto ostentava orgulhoso pelo bairro todo.

Eles conversavam sobre... Sabe-se lá deus sobre o que. Já falavam a aula toda, que assunto haveria de terem guardado para tarde? A falta de assunto, por vezes, era inevitável. E foi numa falta de assunto dessas que surgiu, despretensiosa ou não, indireta, direta, ou inocente. Só quem esteve lá, e não é meu caso, nem o seu, sabe o tom que levaram essas palavras:

Eu gostaria de ser sua namorada. Você me mimaria tanto

Foi um final feliz. Errr. NÃO.

Ele era burro. Pelo menos no que tocava a isso. Não sei responder se ele não entendeu a in(?)direta na hora. Ou se ele fingiu que não entendeu. O fato é que ele só respondeu: "Hummmm, não sei se voce acharia tão legal assim" e mudou de assunto na hora.

Isso teve som de fora. Teve cara de fora. Foi um fora. Não foi a intenção, mas foi um fora.
Penso aqui comigo agora o que ela deve ter pensado na hora. Conhecendo-a o pouco que conheço, chutaria que não fugiu muito da frase: "Aff, só ele mesmo!"

Mas era só ela que gostava dele?

Não. Ele também gostava dela.

Depois do acontecido, quando ele finalmente percebeu o que ela tinha dito (tipo, uns 3 MESES depois!), ele passou a pensar muito nisso.

Era ela. Ele sempre procurou alguém como ela. Era dela que ele gostava.

Ótimo, tinhamos um casalzinho solteiro, jovem e apaixonado. Final feliz? NÃO de novo.

Não sei qual o critério para separar as classes ao final de cada ano. Mas algo me diz que eles escrevem o nome de todos de determinada sala em pequenos papeizinhos e jogam pra cima. Os nomes que conseguirem pegar, mudam de sala no ano seguinte. Só assim pra explicar como a turma quase toda foi estudar a noite, menos uma pessoa: A referida amiga.

Separados, não só de sala, como de horário, a amizade ainda parecia ter força pra resistir. Aguentou bem até. Só não se viam mais na escola, era moleza continuar a amizade. Com menos tempo se vendo (bem menos, eles também começaram a fazer cursos e trabalhar, ocupando o periodo da tarde também), também diminuiu um pouco a possibilidade dessa dupla de pamonhas (com destaque especial para o cara), finalmente sair do 0 x 0.

Estarem separados de horário era moleza. Dificil foi estarem em salas separadas, no mesmo horário...

Terceiro colegial. A dupla estava no mesmo horário, em salas, uma ao lado da outra.

Então eles descobriram que cada um tinha feito seus novos amiguinhos ao longo do ano anterior.
Coincidentemente, uma menina se auto intitulou melhor amiga dele (sem que ele jamais lhe afirmasse reciprocidade) e um menino se intitulou melhor amigo dela (idem o primeiro caso).

Foi então que começaram os tão falados: Ciumes. Muitos. Especialmente, quem diria, dele. Não.

Ele dizia que não tinha ciumes. HAHAHAHA. Ela dizia claramente que tinha ciumes. Mas as atitudes dele mostravam os ciumes. Ele começou a forjar brigas, com qual intenção eu não sei. E o que ele tinha de ruim no futebol, ele era bom fingindo. Parecia mesmo que estava furioso, para segundos depois estar de novo contando piadas como se nada tivesse acontecido...

Ela sempre pedia desculpas, coitada. Ele titubeava, mas aceitava. E ai sim a amizade esfriou. Pudera né? Ela não era um robo, ela tinha sentimentos. Coitada.

Ficaram meses sem se falar. Graças a ela voltaram. Nunca mais como antes. O ano acabou. Foi cada um para o seu lado.

Hoje em dia, vez ou outra, se muito uma vez por ano, eles se encontram por ai e conversam um pouco. Como bons velhos amigos. A maneira como se tratam é sensacional, gostaria mesmo de mostrar para toda a comunidade.

Não, não é nada demais a primeira vista. Mas tem que observar com cuidado. Quem conhece, nota. Eles se olham como quem está vendo uma sombra, como quem está vendo o próprio passado diante de si mesmo. E conversam com cuidado. Não querem passar em momento nenhum a impressão de que mudaram, ou que não mudaram. Sim, ao mesmo tempo, querem parecer mais maduros, mas ainda ser o adolescente de 15 anos.

A cena beira o patético, mas cá entre nós, se as árvores que testemunhavam as conversas, como a do fatidico dia do pedido, tivessem olhos, seriam capazes de chorar a ver a cena. É engraçado, é estranho, é... Sei lá.

Até em mim bate uma sensaçao de "poxa, bons tempos na escola, ouvindo a conversa idiota dessa dupla vindo lá do outro lado da sala, sem parar, a aula toda".

Ou ela tentando se enturmar no "debate bola" da gente, sem entender nada de futebol (já viram o programa da Renata Fan? É...). Ou ele tentando fingir que não tinha reparado no penteado novo dela, só para bancar o "desligado", mesmo depois de ter comentado "olha, ela mudou o penteado hoje haha" minutos antes conosco.

E hoje? Caras, francamente, não sei onde ele está ou o que está fazendo. Apostaria, no entanto, que deve estar sozinho, amaldiçoando-se por ter negado o pedido aquele dia. Sua vida seria outra. Eu sei que ele se arrependeu. Ele não esconde de ninguém. Só dela.

Ela? Casou. Ou noivou. Sei lá. Algo assim. Se ainda gosta dele? Uma frase dela para ele no msn, da ultima vez que eles se falaram lá (e falarem no msn é tão raro quanto verem-se, já que ela não é chegada a esass modernidades) dizia tudo:

Melhor que você é impossível

Quase tudo. Eu diria mais. Melhor que os dois juntos é impossível. Uma pena que não deu certo. Quem viu, viu. Quem não viu... Pôde ler aqui.

2 comentários:

  1. Pra quem saber ler todo pingo é letra não?!


    Qualquer sabe do que se trata o texto :)

    Porém é triste :(

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  2. NUNCA deixe passar a oportunidade.

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