segunda-feira, 23 de março de 2009

A Derrota

Derrota. Palavra forte pra se começar uma postagem. Quem gosta de perder? Salvo rarissimas excessões, o perder, ou como prefiro dizer, o ser vencido, é doloroso, decepcionante, e triste. Os mais otimistas diriam: "É na derrota que se aprende". Pra mim é balela, uma vitoria suada, sofrida, obtida no ultimo instante, no ultimo esforço, contra tudo e contra todos, ensina quase tanto quanto uma derrota. A unica coisa que esse tipo de vitoria não ensina, de fato, é a perder. Perder, só se aprende perdendo. Ou simplesmente não se aprende. O povo brasileiro, tão acostumado a todo o tipo de derrotas, sejam economicas, sociais e, por que não, até esportivas, ainda não aprendeu a perder, pelo menos não da maneira que se deveria.



Afinal de contas, sempre vale lembrar que existia do outro lado um adversário, que também se preparou, esperou aquele momento, e tinha tanta vontade de vencer quanto nós. Querem exemplo melhor que a final da copa do mundo de 1998, contra a França? Existem todo o tipo de teorias que "explicam" a derrota da seleção brasileira. Partem de algumas deduções esperadas, como trocar o titulo pelo direito de sediar a copa de 2014, passando por algumas mais criativas, como a Nike ameaçando cortar o contrato de alguns jogadores, até outras incriveis, como a que diz que Ronaldo fora substituido por um sósia, talvez da mesma marca que o sósia que vinha enganando os fãs dos beattles há decadas, e essa copia teria jogado a final. E existe uma teoria que é simplesmente inaceitavel, a ponto de ser a unica a quase sempre arrancar risadas debochadas de qualquer brasileiro que a ouça: A França, de Zidane no auge, jogou melhor e mereceu vencer a copa.

Historias assim se repetem ao longo de nossa historia como nação e, principalmente, como torcedores. Se não fosse a agua batizada que o Maradona deu pro Branco... Aquele Paolo Rossi não jogava nada, fez aqueles gols na sorte... Se Senna não tivesse falecido, Schumacher não seria hoje o recordista de titulos que é... Se não fossem os jogos anulados em 2005... A seleção de 2006 não queria nada com nada...

Embora algumas dessas afirmações possam até soar verdadeiras, todas tem algo em comum: São mero choro de perdedor. Quando se vence, esses pequenos detalhes passam despercebidos. Roberto Carlos deu uma furada muito pior contra a Dinamarca, em 1998, do que em 2006 quando ele não acompanhou o Henry. Por que não lembram e o crucificam quanto ao primeiro lance? Vencemos a Dinamarca no final, a França não. Paolo Rossi não é lembrado como "um jogador ruim com sorte", na Italia, embora nao fosse um craque. E sim como um jogador com sorte, com estrela. Note como tirar o "ruim" da frase ja muda tudo.

Isso parte de uma pequena arrogancia, diria. É mais facil crucificar e achar um unico culpado, ou simplesmente atribuir a sorte, destino, ou a maléficas conspirações, uma decepção sofrida, do que assumir que ela pode ter sido merecida, que quem esteve do outro lado foi melhor naquele momento, e a vitoria é deles por direito. São frases famosas como "nem sempre vence o melhor" que sustentam essa ilusão.

 A sorte também faz parte do jogo, e em esporte algum se vence de vespera. Voce precisa disputar, se esforçar ao maximo, estar concentrado, sem medo da derrota, mas sem soberba. Se um desses fatores estiver falho, as vezes voce pode perder, mesmo tendo mais potencial. E potencial não significa ser o melhor de fato, é apenas ter capacidade para tal, o que são coisas diferentes.

Não que eu esteja dizendo para sermos perdedores conformados, longe disso. Só estou comentando que a vitoria faz parte do jogo, e que precisamos aprender a entender que, quase sempre, vence o melhor sim. Se não foi o melhor no contexto, foi no momento de decidir, que é o que conta afinal.
Terminando com uma frase pronta, mas que se encaixa bem aqui: Lembre-se, aquele que te vence hoje, pode ser o mesmo que valoriza sua vitoria amanhã.

Um comentário:

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