segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Animais gigantes na Amazônia

  Amazônia: Existe muita coisa sobre essa selva fascinante que pouca gente sabe. Aliás, há muitas coisas que ninguém sabe, e não estou falando de lendas urbanas (mentirosas, por sinal) que dizem que nos Estados Unidos eles ensinam que a Amazônia lhes pertence. Estou falando de coisas reais, que não são frutos de correntes de email na internet, como por exemplo, uma grande diversidade de animais e plantas novos que vem sendo descobertos a cada dia.

E também fósseis de animais extintos, que vira e mexe são descobertos por lá. Se hoje a Amazônia já não é mais um bom ambiente para animais muito grandes, como os que existem na África, no passado a história era outra. A floresta tropical ainda não existia, e em seu lugar havia uma paisagem muito parecida com a que vemos nas savanas africanas, ou mesmo no cerrado brasileiro. E era um belo local para animais realmente enormes, muitos bem maiores que os africanos, viverem.

E é sobre alguns desses animai que vamos falar a seguir. Prepare-se para conhecer alguns dos maiores animais que já pisaram por aqui. Ou, quem sabe, ainda pisam...



Mas que preguiça, hein?

As espécies de Bicho-Preguiça atual são bem pequenas, com cerca de 70cm de comprimento. Mas nem sempre foi assim. Nossas terras já foram habitadas por espécies realmente gigantescas de preguiças, que, em pé e sobre duas patas, podiam chegar a até 6 metros de altura!

Diferente das atuais, essas preguiças, que viveram até 12 mil anos atrás, não subiam em árvores, até porque não havia árvores capazes de aguentar um animal desse tamanho, mas os hábitos eram parecidos: Animais de metabolismo lento que se alimentavam de folhas. Porém, graças ao seu tamanho avantajado e suas garras enormes, essas preguiças podiam ser potencialmente perigosas.

O mais curioso sobre a Preguiça Gigante é que ela pode ser a última das representantes da mega fauna brasileira ainda viva. Sim, viva. Nas regiões amazônicas existe um mito sobre um animal chamado “Mapinguari”, cujo os relatos de avistamentos são muito frequentes entre índios e pessoas que moram em alguns lugares mais isolados da mata, e as características do mapinguari batem de forma incrivelmente curiosa com as características da preguiça gigante, fazendo com que alguns cientistas acreditem que uma pequena população do animal ainda esteja vivendo por lá.

Hipopótamo? Rinoceronte? O que é você, meu amigo?

Toxodonte foi uma espécie de animal que viveu por aqui até pouco tempo atrás, e tinha características físicas muito parecidas com as de um hipopótamo. No entanto, os registros fósseis indicam que, diferente do animal africano, o brasileiro não vivia em lagos ou rios, preferindo climas secos e tendo hábitos mais compatíveis com o rinoceronte.

O fato de seus dentes terem sido encontrados com flechas feitas por seres humanos, indicam que, se essa não foi a principal razão, a extinção dessa espécie provavelmente foi acelerada pela caça promovida pelos primeiros humanos que chegaram ao continente. Foi um dos fósseis que mais chamou a atenção de Charles Darwin quando este visitou a América do Sul...

Será que eles tinham medo de ratos?

Outra extinção recente, que ocorreu cerca de 10000 anos atrás, foi a dos mastodontes, espécies de elefantes que viveram tanto na América do Sul (onde estava concentrada sua maior diversidade) quanto na América do Norte (algumas poucas espécies). Tinham cerca de 3 metros de altura e pesavam 5 toneladas, ou seja, eram ainda maiores do que o Elefante Africano atual.
Muita gente confunde, mas os Mastodontes e os Mamutes eram animais diferentes, sendo a principal diferença presente nos dentes e nos hábitos de alimentação, a localização (mamutes viviam mais ao norte da América do Norte, e na Europa) além do fato de uma classe ser mais antiga e portanto ter sobrevivido por mais tempo que a outra (uma vez que ambas as espécies tenham sido extintas mais ou menos ao mesmo tempo) .

Outro animal que provavelmente sofreu os efeitos da chegada do ser humano no continente, que provavelmente caçaram seus filhotes a exaustão, além, obviamente, das mudanças climáticas.

A hora do pesadelo

Mas não foram apenas animais herbívoros e pacíficos que habitaram nossas terras no passado. Alguns eram verdadeiras máquinas de matar. Entre as quais, está o Purussauro, que diferente do que o nome sugere, não era um dinossauro, e sim um jacaré.

E se você acha que algumas espécies de jacarés atuais como o jacaré-açu, que podem ter mais de 5 metros de comprimento, ou mesmo crocodilos como o Crocodilo de água salgada, que podem chegar a 8 metros, são animais grandes e perigosos, sente-se para não cair: Um Purussauro media entre 18 e 25 metros de comprimento. Isso é o tamanho do vagão de um trem! Ou seja, chegar perto do rio Amazonas ou algum dos seus afluentes para beber água naquela época era um bocado perigoso...

Para nossa sorte, esses animais acabaram morrendo muito antes dos outros citados até aqui na postagem, sendo os últimos representantes batendo as botas por volta de 5 milhões de anos atrás, bem antes dos seres humanos chegarem ao continente.

Vem aqui gatinho...

Smilodons atacando um mastodonte
Falando em predadores, atualmente a Onça Pintada reina absoluta como o maior felino das Américas. Mas elas não passam de gatinhos inofensivos se comparados aos antigos Smilodons, mais conhecidos como Tigres-Dentes-de-Sabre, apesar desse animal não ser exatamente um parente próximo do Tigre...

Foi aqui na América do Sul onde os maiories Smilodons viveram, com espécies que poderiam chegar a até 3 metros de comprimento e pesar 400kg, o que é maior do que um Leão. Semelhante ao dos leões era o seu comportamento, sendo animais que provavelmente viviam e caçavam em numerosos e poderosos grupos.

Mas o que mais impressiona nesses animais, via de regra, são os enormes dentes caninos que lhes renderam seu apelido: Esses dentes podiam chegar a até 20cm de comprimento, e aliados a articulação de sua boca, que lhes permitia abri-la num ângulo de até 95°, se tornaram algumas das armas mais letais que a humanidade já teve que enfrentar.

Sim, por que esses predadores também foram contemporâneos dos primeiros humanos que chegaram aqui, tendo protagonizado uma disputa não muito saudável entre as espécies: Humanos os caçando para usar sua pele como casaco, e Smilodons caçando humanos para encher a barriga... Mais uma espécie de animais que não resistiu as mudanças climáticas e a chegada dos seres humanos.

O roedor rei
Os paulistanos já estão acostumados a ver capivaras por diversos pontos da cidade. Seja nadando nas águas poluídas do rio pinheiros, ou mesmo nos lagos do Parque Ecológico do Tietê, ou ainda em outros pontos da cidade, esse simpático animal, que é a maior espécie de roedor viva, está presente na paisagem paulistana como poucos animais silvestres conseguem.

Mas seria totalmente improvável que os antepassados desse animal pudessem viver de forma tão tranquila no meio de uma grande cidade, simplesmente pelo seu tamanho: A Capivara Gigante, espécie que habitou toda a América do Sul à cerca de 2 milhões de anos, podia chegar a pesar meia tonelada! Como comparação, uma capivara atual pesa aproximadamente 60kg... Aliás, América do Sul foi o palco de uma grande diversidade de roedores, por estar separada da América do Norte (onde outras espécies de mamíferos prosperaram) durante a maior parte do tempo.

Praticamente uma linha de metrô viva

Assim podemos descrever o Tatu Gigante, animal que também habitou quase todo o território brasileiro e boa parte da América do Sul até pouco tempo atrás, deixando de existir à cerca de 6 mil anos, também não suportanto as mudanças climáticas e a chegada do homem. Eram tatus que variavam do tamanho de um asno ao de um fusca! Tinham hábitos muito parecidos com os tatus atuais, inclusive cavando túneis. 

Toca de Tatu Gigante descoberta no RS
  Já foram descobertos mais de 60 tuneis desses animais, que serviram para esclarecer muitas dúvidas que a ciência tinha sobre esse animal. Suas tocas costumam ter entre 1,5m a 2m de diâmetro, sendo portanto fáceis de entrar. Porém, podem ser profundas o suficiente para faltar ar e dificultar a exploração...



Existem ainda centenas de outras espécies de animais, talvez ainda maiores, que viveram por aqui, entre mamíferos, répteis, aves, peixes, dinossauros... E os pesquisadores não param de encontrar novos e fascinantes fósseis a cada dia.

Todos esses animais existiram, cumpriram seu papel na natureza e, por uma razão ou outra, foram extintos, o que é algo natural e que não muda em nada a importância dos nossos animais “modernos”, que se adaptaram e conseguiram prosperar, tornando o nosso território um verdadeiro oásis da biodiversidade no mundo. O que não é certo é que uma espécie altere todo o ecossistema e cause extinções que jamais aconteceriam por causas naturais, o que é algo que infelizmente o homem vem fazendo. Vida longa ao Amazônia!

4 comentários:

  1. boa descripÇao do pleistoceno,mais no caso do mapinguari nao e lenda,a especie procurada e megalonyx wheatlejy,um grande preguiÇa terrestre nao extinto.Pode olhar meu site,explico os avistamentos e as expediÇoes feitas e por fazer com apoio do biologo Richard Rasmussen.
    www.luisjorgesalinas.blogspot.com
    legal teu blog!! saludos

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  2. Atualização do número de túneis de tatus e preguiças gigantes encontrados até junho/2011: mais de quinhentos.

    Visite www.ufrgs.br/paleotocas

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  3. Muito obrigado pela informação Heinrich

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