sábado, 25 de junho de 2011

Os verdadeiros contos de fada: Originais e sem censura

  Era uma vez. Como é bom começar uma postagem com era uma vez. Dá um ar nostálgico, inocente, quase que infantil para o texto. Afinal, contos de fadas são histórias para crianças, cheias de boas lições para aprendermos. Não tão rápido...

Se você acha que “A menina da capa vermelha” contou uma história infantil de um ponto de vista mais adulto, é uma boa hora para achar de novo. Contos de fadas surgiram muito tempo atrás, nas rodas de conversa dos vilarejos, como histórias para distrair depois de longos e extenuantes dias de trabalho. As histórias não eram exatamente para crianças, e obviamente, ficaram célebres e se difundiram mais aquelas histórias que eram mais marcantes. Nem sempre bonitinhas, nem sempre com final feliz. Aliás, quase nunca.

Algumas dessas histórias caíram no gosto de crianças no entanto, e com o tempo, foram ficando mais e mais politicamente corretas, até virarem essas historinhas que nossos pais nos contam ou são vistas nos desenhos que nossas crianças assistem inocentemente pela manhã.

Felizmente, ou não, sobraram algumas menções das histórias originais, registros de como elas eram antes de receber a classificação “Livre”. Recentemente, falou-se muito que a vida da Princesa Kate parecia um conto de fadas... Bem, ela tem sorte, e muita sorte, de não parecer. Venha, vamos dar uma revisitadinha básica naquelas histórias melosas e chatas que nos acostumamos a ouvir para entendermos o porque. E se você realmente tem algum apreço pela inocência dessas princesas e o cavalheirismo desses príncipes, é melhor ficar bem longe dessa postagem...


A Bela e a Fera

Para aquecer, vamos começar com uma história que mudou relativamente pouco, pelo menos em comparação com as que virão a seguir. Nessa versão, que não tem rival e nem objetos falantes, a Bela tem duas irmãs e seu pai é um mercador. O pai dela parte numa viagem, e diferente das irmãs (espertas) que pediram riquezas, Bela (burra) pede apenas uma rosa como lembrança de viagem. O pai, de quem a Bela deve ter puxado a esperteza, rouba a rosa justamente do castelo da Fera!

A Fera (que nessa versão lembra uma cobra), exige que lhe seja dada uma das filhas do mercador como forma de compensação. Como foi culpa dela, a Bela é entregue a Fera. Daí pra frente é aquele bla bla bla da Fera tentando casar com a Bela, e essa recusando. Até que a Bela ganha permissão de ir visitar seus pais, com a condição de voltar em dois meses, caso contrário, a Fera morreria.

Não que a Bela ligasse pra isso a princípio. O peso na consciência bateu na porta em cima da hora, depois que Bela teve um pesadelo. Ela volta correndo e encontra a Fera quase morrendo. A Fera lhe pede em casamento pela última vez. Bela, provavelmente pensando algo do tipo “vou aceitar pra ele morrer feliz”, diz sim. Para sua surpresa, a Fera se torna um lindo príncipe e eles se casam...

Branca de Neve

Essa é punk. No original, a madrasta na verdade é a mãe natural da Branca de neve, que tem apenas 7 aninhos. Vendo que está virando uma velha decrépita e sua filha uma linda mocinha, a mãe ordena que lhe seja trazido não só o coração, mas também o pulmão, o fígado, o sangue... O plano, afinal, era jantar a pobre Bela. Graças a compaixão do encarregado pela morte, ela consegue fugir para a floresta e encontra a casa dos 7 anões (aqui é igual no conto que estamos acostumados). Então a história volta a ficar tensa. Pense em 7 homens que moram sozinhos na floresta, e de repente dão de cara com uma mulher linda, inocente, sozinha e do tamanho deles. Não preciso falar o que aconteceu.

Seguindo até a parte da maçã envenenada, a Branca de neve morre (sim, MORRE). Mas é encontrada pelo príncipe, que não é tão encantado assim, já que um príncipe encantado não leva crianças mortas para seu castelo. Foi o que ele fez (o que ele planejava fazer com ela?). O fato é que um de seus servos se cansa de cuidar da defunta e lhe desfere um soco na barriga. Branca cospe a maçã e volta a vida (?), se casando (ainda com 7 anos) com o príncipe que lhe “salvou” (nem o príncipe deve ter entendido direito porque ele ficou com os méritos)...
  Ah, e como nenhuma história está completa sem uma vingança, a mãe malvada termina dançando até a morte com sandálias de ferro aquecidas em brasa...

Bela Adormecida

Falando em príncipes encantados, o da Bela Adormecida certamente entraria no hall dos menos encantados de todos os tempos, se existisse algo assim. A história começa com uma Bela Adormecida destinada a cumprir uma profecia (e não amaldiçoada). É espetada por uma farpa mágica embaixo da sua unha. Parece bobagem mas acredite, o local onde ela é espetada e o objeto a faze-la dormir não foram alterados por acaso.

Seguindo a história, depois de muito tempo o príncipe finalmente a encontra. Depois de tentar acordá-la sem sucesso, ele olha para os lados, não vê ninguém além dele por perto, vê a belíssima moça adormecida e... É, exatamente isso que você pensou, mais ou menos o que os anões fizeram com a Branca. Como não é bobo nem nada, o príncipe continua voltando lá de tempos em tempos para se divertir com a moça adormecida.
Até que um dia acontece o óbvio, e a Bela Adormecida engravida. Como desgraça pouca é bobagem, nascem gêmeos, filhos de uma mãe ainda adormecida... Não se sabe como sobrevivem, nem muito menos como se dá o parto, mas a história dá conta de que certo dia um dos bebês tenta mamar e confunde o dedo com o peito da mãe. Por uma sorte incrível, ele suga o dedo espetado, tirando a farpa que estava lá e a Bela Adormecida acorda. Estuprada e mãe de gêmeos, sem fazer idéia de quem é o pai, mas acorda.

Não demora e o príncipe aparece, louco para dar outra bimbada, e descobre que a moça agora está acordada. Resolve se casar com ela (pelo menos isso né), e a Bela (sem muita opção, diga-se de passagem), aceita. Só para descobrir que sua nova sogra é uma ogra. Veja bem: No imaginário das pessoas, todas as sogras são ogras. O problema é que no caso da Bela Adormecida, a sogra era uma ogra LITERALMENTE.

A partir daí é pura lógica: A mãe do príncipe faz o que toda ogra faria, ou seja, tenta devorar os netos. E o príncipe faz o que todo príncipe encantado faria, e mata a própria mãe. E todos os que sobreviveram viveram felizes para sempre...

Chapeuzinho Vermelho.

Falando em jantar crianças, aqui temos um conto sobre jantar. Até a parte que a chapeuzinho é enganada pelo lobo e chega atrasada na casa da vovó é tudo igual. Uma vez lá, ela descobre que o lobo fez ensopado da velha. Pior: Ele exige que a chapeuzinho deguste com ele da refeição. Chapeuzinho no entanto sabe que é a próxima do cardápio.

Para tentar fugir, faz um strip tease para o lobo, afim de distraí-lo (parece brincadeira mas é verdade). A estratégia não dá certo e ela também vai parar na barriga do lobo. Ah, nessa versão não aparece caçador nenhum. Não há final feliz, a menos que você seja o lobo, que encheu a barriga e ainda assistiu ao showzinho de uma Chapeuzinho bem ninfeta...


O Flautista da Hamelin

Não há muitas diferenças nessa história com a atual, tirando o final, que é um pouco mais extremista. Na história, uma cidade é devastada por uma praga de ratos. Um flautista muito doido aparece e jura que pode salvar todo mundo, se for pago o que ele pede. O pessoal da cidade aceita e ele, tocando sua flauta, encanta e tira todos os ratos da cidade.

O problema é que ele toma um calote, e, vingativo, resolve usar os poderes da sua flauta para sequestrar todas as crianças da cidade. É aqui que está a diferença da atual para a antiga: Na atual, depois de pago o que lhe era de direito, ele devolve as crianças. Na original, ele primeiro abusa das crianças em uma gruta. Depois, recebe o dinheiro. E por fim, mata todas elas afogadas...

A Pequena Sereia

Já que entramos no mérito de se afogar, vamos para o fundo do mar. Na primeira versão da história, a Pequena Sereia tem duas outras irmãs. Ao fazer 15 anos, ela ganha o direito de subir a superfície. Lá ela se apaixona por um príncipe, que estava a bordo de um navio. O navio afunda e a Pequena Sereia salva o príncipe.
Depois desse incidente ela fica tão gamada que vai atrás da Bruxa do Mar implorando uma maneira de se tornar humana. A Bruxa lhe concede o pedido, com alguns efeitos colaterais: A Pequena Sereia ficaria muda, e a cada passo que desse sentiria dor como se pisasse em facas. E pior, se ela não conseguisse se casar com o Príncipe, ela viraria espuma no mar e morreria.

A sorte não estava ao lado da Pequena Sereia, e todo esse sacrifício foi em vão: Ao chegar no reino, ela descobre que o Príncipe já tinha uma prometida, que por sinal não era uma menina de 15 anos fedendo à peixe.

Pressionada pelas irmãs da Pequena Sereia, a Bruxa do Mar oferece uma solução para reverter a maldição: A Pequena Sereia deveria encravar uma faca mágica no coração do Príncipe, e tudo voltaria ao normal (para ela, naturalmente). Na hora H, no entanto, a Pequena Sereia amarela e acaba cumprindo seu destino, virando espuma e desaparecendo no mar...

Os Três Porquinhos

Essa versão é mais direta e um pouquinho mais violenta que a que está difundida hoje em dia. Nela, não tem toda aquela enrolação dos porquinhos se exibindo com suas casas, pulando direto pra ação: O lobo chega, come o primeiro porquinho. Depois, come o segundo porquinho. Como a casa do terceiro é mais forte, ele tenta tirá-lo de lá na base da lábia. Não rola.

Sem opção, o lobo resolve tomar atitudes drásticas e entrar a la Papai Noel: Pela chaminé. Uma péssima idéia, já que o porquinho já tinha previsto isso, e colocou um caldeirão fervendo debaixo da chaminé. O lobo cai lá e é comido pelo porquinho (sabia que porcos adoram um ensopado de lobo? Eu não...).

Cinderela

A fada madrinha aqui na verdade é uma árvore plantada em cima do túmulo da mãe da Cinderela. São realizados três bailes, ao invés de um: No primeiro, a Cinderela não vai, só fica babando olhando pela janela. No segundo, ela ganha um vestido estonteante, uma carruagem e os famigerados sapatinhos de presente da sua “árvore madrinha”. Aparece na festa e rouba a cena, junto com o coração do príncipe. No terceiro ela perde a hora e acontece todo o rolo que termina com ela correndo descalça pelas ruas, vestida nuns trapos velhos, e num príncipe com um fetiche por pés se perguntando para onde foi aquela gatinha que ele achou que ia pegar.

Ele resolve então dar um jeito de reencontra-la, e como a única pista que ele tem é o sapato, sai testando de pé em pé. Motivadas pela madrasta, as irmãs da Cinderela usam estratégias extremas para seus pezões caberem no bendito sapatinho: Uma corta o calcanhar. A outra, os dedos. Ambas são deduradas por uns passarinhos caguetas amiguinhos da Cinderela.

Por fim, o príncipe faz o teste na Cinderela, o sapatinho serve perfeitamente, ele a reconhece (aparentemente é mais fácil reconhecer uma pessoa depois que ela calça um sapato do que olhando pro seu rosto), eles se casam e vivem felizes para sempre. Ah, só para constar, além de mancas, as irmãs da Cinderela acabam cegas também, já que os mesmos passarinhos X9's que as deduraram furam os seus olhos...

O mais incrível é que existe ainda uma versão mais antiga, que serve quase como um “Cinderela 0”. Nela, Cinderela é filha de um rei viúvo que sonha em encontrar uma nova esposa com pés tão perfeitos quanto os de sua falecida amada. Acontece que a única a cumprir as exigências é a própria Cinderela. Para não ter que casar com seu pai fetichista, velho e incestuoso, Cinderela foge, dentro de um armário (Nárnia?), para morar com uma ex mulher de seu pai e suas meias irmãs. E ai começa, com algumas pequenas mudanças, a história que você leu acima...

João e Maria

A dupla de crianças não se perdeu na floresta acidentalmente. Eles foram abandonados lá pelo seu pai. Também não encontraram uma casa feita de doces, e sim, uma casa repleta de riquezas. Não era uma bruxa má a dona da casa, e sim, um casal de demônios.
Daí pra frente a história fica mais ou menos parecida com o popular: João e Maria são pegos, escravizados por um tempo até estarem no ponto para serem comidos com cebolas.

No dia D, o demônio “macho”, sai para buscar uns temperos, enquanto a fêmea começa a cozinha-los. João finge não conseguir se ajeitar na panela, e Maria pede que a “demônia” lhes mostre como fazer. Ela, muito tonta, entra na panela e se deita, mostrando como esperava que o João fizesse. Nessa hora, os irmãozinhos lhe dão um golpe na garganta e a matam, acendendo o fogo e fugindo, levando o máximo de riquezas que conseguem como souvenir...

25 comentários:

  1. Nossa! Jà sabia dessas histórias mas, gostei de seu texto - da forma como apresenta as histórias. Parabéns =D

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  2. Muito boa esta postagem. Mas de onde que você sabe que estas são as versões originais?

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    1. estas versões publicadas, são baseadas nos contos dos irmaos grimm

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    2. Más no contos dos irmãos Grimm as historias não são "macabras" e já são adaptadas às crianças, as verdadeiras histórias são dos povos Celtas.

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  3. A historia da cinderela é igual a que minha mãe contava para mim :P
    Tirando a parte da arvore mãe hm'
    Bom post =)

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  4. Anônimo: Na própria internet há menções sobre elas, mas também alguns livros que falam,como aquele "Horripilantes Contos de Fadas" uma das poucas publicações em português. A maioria (e os mais detalhados) deles encontram-se em inglês.

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    1. E eu uma vez peguei na biblioteca da minha cidade o livro da Cinderela nessa versão que você publicou. O livro era "infantil" com gravuras, e eu lembro até hoje que um desenho mostrava o pé no sapatinho de cristal pingando sangue. Era o que denunciava as irmãs.

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  5. Nossa, adorei o jeito de escrever!não as histórias originais, porque, né... ahaha
    mas fica até gostoso de ler pelo jeito fácil da escrita.Parabéns!

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  6. Muito bom mesmo ! Eu adoro contos de fadas e amo terror/suspense. Juntando tudo então... *-*

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  7. Amei... Hoje me contaram a da chapeuzinho vermelho versão macabra, e decidi verificar pra ver se era verdade... Dei altas gargalhadas!!!

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  8. isso ridicolo pode crerrrrr.............

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  9. hoje tbm soube algumas dessas na aula so que tbm nao acreditei,mas foi dificil pra achar pois como ele disse a maioria ta em ingles

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  10. Em relação a Chapeuzinho Vermelho, eu conhecia de outra forma '-'
    A garota tem esse apelido de Chapeuzinho Vermelho porque ela usa, de fato, um capuz (-q), e por ser muito bonita, quando ela ficava menstruada todos os homens a atacavam (exatamente como os cachorros partem para cima das fêmeas). E em um dia desses, ela foi levar, de fato, os doces para a vovozinha, só que ela chega lá e a velha tinha sido comida pelo lobo. A garota então sai correndo atrás de ajuda, quando ela encontra o caçado, ao invés de ajudá-la, ele a estupra e mata. E pronto, fim 8D
    Essa é a história que eu conheço '-'

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    1. HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA MUUUITO BOA ESSA

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  11. Rogerio Kampa Junior2 de maio de 2012 18:29

    POis é, algumas histórias tem mais de uma versão, mas todas tem um final trágico e macabro porque era usadas para evitar que entrassem na floresta negra (na Alemanha). Como muitos pais contavam aos filhos.. alguns suavizavam o conteúdo.

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  12. Muito boa a sua forma de contar. Tava louca pra ler mas não achava em nenhum outro lugar...Valeu mesmo!

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  13. MINHA INFÂNCIA ACABOOOOOOOOOOOOU D""""=

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  14. Muitas Bundas lindas ae :O

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    1. SAFADEZA EM??????? MELHOR NÃO....

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  15. Só pra te fazer feliz então...rsrs
    Parabéns pelo post. Muito criativo e divertido.
    O texto é seu mesmo? Se for, parabéns, você escreve muito bem.
    Também tenho um blog... convido você para dar uma passadinha lá e conhecer.

    http://blogdadonarita.blogspot.com.br/

    PS.: Vou colocar seu texto no mural de leitura para meus alunos. Com os devidos créditos, é claro.

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  16. Amei as histórias que não são nem um pouco inocentes como de costume.

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  17. A Infância de muitas pessoas vão ser DETONADAS!
    3:) Hehehehe

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  18. Minha infância acabou *-* GOSTEI

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  19. Minha infância acabou *-* GOSTEI

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