sábado, 22 de novembro de 2014

Quase lá: 6 grandes empresas que fracassaram no mundo dos games

Um Saturn produzido pela... Samsung? 
Não é raro em reuniões de entusiastas da tecnologia a indagação: E se Samsung e Apple entrassem no mercado de videogames pra valer? Bom, pouca gente lembra, mas isso já aconteceu.

Brigar na "guerra de consoles" não é só querer, é preciso muita bala na agulha pra conseguir manter um videogame competitivo no mercado. E é por isso que hoje em dia o mercado de consoles dedicados a jogos é basicamente polarizado entre Sony, Microsoft e Nintendo. 

Mas houve um tempo em que praticamente todos tentaram pegar seu pedaço do bolo. Além das empresas que já eram "do meio", como Sega, Atari e SNK, muitas outras ficaram pelo caminho - algumas surpreendentes. Essa postagem é dedicada ao rodapé da industria de games: Os videogames de grandes empresas que ficaram pelo caminho sem conseguir seu lugar ao sol. Qual deles você já jogou?

Apple Pippin

Quase ninguém se lembra do Pippin, concorrente do primeiro Playstation e um considerável fracasso, nascido num dos momentos mais difíceis da hoje riquíssima Apple.
Na verdade, a quinta geração de videogames foi um dos maiores booms do mercado, com muitas empresas se aventurando pela primeira vez - incluindo a Sony e o seu Playstation, e também a Apple.

O Pippin era baseado na plataforma Macintosh, mais especificamente no Mac OS, e o projeto tinha apoio e "know how gamístico" da Bandai. A ideia do videogame era bastante a frente do seu tempo: Um dispositivo multimídia para jogar games e utilizar aplicativos voltados para a internet. Se isso cheira a "Apple" como a conhecemos hoje, a contrapartida fica por conta de que a maçã esperava que seu videogame fosse uma plataforma aberta, de forma análoga ao que a JVC havia feito com o formado VHS de filmes. O Pippin foi descontinuado em 1997, quando Steve Jobs voltou para a Apple. 

Pioneer LaserActive


Pioneer pra maioria de nós lembra instantaneamente som automotivo. Mas ela também se aventurou no mercado de games com uma plataforma bastante curiosa, de conceito impensável nos dias de hoje. Imagine o cenário: Uma empresa lança um videogame capaz de reproduzir os jogos de Xbox One e Playstation 4 perfeitamente, além dos próprios e exclusivos. Ah, e rodava programas de computador também. Era mais ou menos isso que o LaserActive fazia. E o melhor: Sem trava de região. 

O console era 100% compatível com os jogos e acessórios dos videogames Mega Drive, Sega CD e o PC Engine da NEC. Rodava também uma grande variedade de programas lançados para os computadores da época.

Parecia um sonho, mas como tudo nessa vida, tem um preço, e nesse caso, era O PREÇO: US$ 970,00. Sim, um videogame custando 970 doletas em 1993. Obviamente, quase ninguém comprou. 

Panasonic 3DO Interactive. 

O 3DO é um conceito que durante algum tempo pareceu ser o futuro da indústria de games: Um mercado baseado em Royalties. Ou seja, de forma análoga ao DVD e ao Blu Ray, qualquer empresa poderia fabricar um 3DO desde que pagasse uma taxa aos seus criadores. 

Devido a esse esquema democrático, tivemos não apenas o 3DO da Panasonic (o primeiro a ser lançado, o mais popular e por isso o de maior destaque na postagem), como também o da Sanyo, LG e da Samsung, que foi o derradeiro entre os 3DO's.

Somando todas as suas versões, o 3DO foi talvez o videogame mais popular dessa postagem, e foi lar do nascimento de algumas séries conhecidas, como por exemplo, Need for Speed.

Casio Loopy

Vocês sabiam que em um passado não tão distante, alguém teve a ideia de lançar um videogame só para meninas?

A ideia veio da Casio (sim, a Casio dos videocassetes) em 1995 e o resultado foi o Loopy 101, um videogame que só foi lançado no Japão e tinha, bom, só jogos de menininhas.

Uma enorme parcela dos jogos do aparelho eram simuladores de encontros e namoro - um genêro estranho pra gente aqui do ocidente, mas popular no Japão até hoje em dia. As meninas piram.

O videogame é estranho mas tinha dois dos acessórios mais legais que essa industria já testemunhou: Um deles permitia que você tirasse uma espécie de print screen de qualquer filme em VHS ou DVD. O outro era uma impressora que te deixava transformar o print que você deu no filme num adesivo! 


Nokia NGage

Mais recente e talvez mais conhecido, o NGage foi uma tentativa da Nokia num momento bastante confuso pra indústria de jogos portáteis. Já estava bastante claro que os jogos de celular seriam uma mina de ouro, embora não tivessem encontrado ainda o modelo perfeito para garimpar essa grana. Mas o Game Boy Advance também vendia como água. A Nokia então juntou as duas idéias em uma só e criou um celular com características de videogame portátil - ou vice versa.

O portátil podia fazer o que se esperava de um celular da época: Chamadas, SMS, rádio, MP3 e internet 2G, além de rodar games em Java. E ainda tinha entrada pra cartuchos proprietários exclusivos. Foram lançados dois modelos. Nenhum dos dois realmente agradou. E no final das contas, a proposta confusa do NGage foi incapaz de competir com o Nintendo DS e PSP. 2004 ainda não era o ano em que os videogames encontrariam a melhor maneira de alcançar os celulares. 

O NGage, entretanto, tem o mérito de ser um dos últimos representantes da época em que o design dos celulares não era sempre o mesmo. 

Samsung Gam Boy / Aladdin/ Saturn

Eu abri a postagem com a Apple, e vou fechar com a Samsung. A tentativa da Samsung no mundo dos games foi até mais ousada, dependendo do ponto de vista. Digamos que foi mais cômica que a da Apple, isso com certeza.

Como minha postagem sobre o Game Boy Advance Flango mostrou, clones de videogames populares são comuns até hoje. Aliás, se você é brasileiro e começou a jogar nos anos 80 / 90, provavelmente você já teve um clone (eu mesmo tenho um Turbo Game, o "NES" da CCE). Mas quem diria que a toda poderosa Samsung também já fez parte do time dos cara de pau?

A questão é que até recentemente o governo da Coréia do Sul proibia que qualquer produto japonês fosse vendido no país. E isso abriu espaço pra que a Samsung lançasse o Gam Boy: Um videogame com nome de Nintendo que rodava games da Sega. O Gam Boy rodava os games do Master System, 

A história toda já começa esquisita, mas a verdade pode ser ainda pior: A Samsung chegou a fabricar clones do Mega Drive (que era chamado de Super Aladdin Boy) e Saturn - nesse último a Samsung já nem estava mais se dando ao trabalho de disfarçar inventando outros nomes. Era o Samsung Saturn mesmo e dane-se.

A Samsung não apenas clonava o console: Ela localizava games traduzindo-os para o coreano (obviamente também era proibido que os produtos viessem no idioma japonês, embora a fiscalização nesse sentido fosse um pouco mais frouxa) e até chegou a lançar alguns games exclusivos (nem perca seu tempo procurando, são só um monte de porcaria).

Menção honrosa: O Dreamcast também foi lançado na Coréia, só que pelas mãos da Hyundai.

O curioso é que a guerra Sega x Nintendo se repetiu de verdade na Coréia, ao passo que enquanto a Samsung clonava os videogames da Sega, a sua maior rival coreana, a Hitachi, produzia suas próprias versões dos consoles da Big N. Ironicamente, a Hitachi trabalhou com a Sega em alguns de seus consoles, e seus processadores turbinavam o Dreamcast e o Saturn.

A Samsung chegou a usar até o logotipo da Sega nos seus aparelhos. Ou quase - repare que o "A" da Samsung é ligeiramente diferente do original. 

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