sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eu não achei graça. Mas o Damon Hill.


  Senna? Prost? Schumacher? Fangio? Entrar em polêmica quando o assunto é o maior piloto de F-1 de todos os tempos é muito fácil. Numa categoria tão vasta de gênios, é realmente uma tarefa complicada escolher um ponto de referencia, um que foi um pouco mais genial do que os outros. Ainda há de se considerar variantes como a época e a tecnologia disponível, bem como os rivais e todo um contexto. É difícil.

   Por outro lado, existe uma questão que não parece guardar nenhum segredo: Entre os pilotos campeões da categoria, qual foi o pior?

  Damon Hill. A resposta para essa pergunta está na ponta da língua de quase todos os aficionados pelo esporte. Parece unânime: Hill venceu por uma exceção, dessas que por vezes acontecem no esporte. Hill era sim um bom piloto, mas jamais deveria ter sido campeão da Formula 1. Ele não está nesse nível. Pelo menos não no nível técnico dos outros que se eternizaram ao vencer na categoria mais difícil do mundo. 

 Damon, no entanto, possuía algo muito mais valioso que técnica. Algo capaz de coisas muito mais incríveis do que apenas talento. Algo que Schumacher, Barrichello, Villeneuve e quaisquer outro piloto que disputou aquele titulo definitivamente não tinham. Ele não corria por glória, por fama, ou essas coisas fúteis que normalmente movem os pilotos.. Hill sequer corria por ele. Ele corria por amor. Corria pelo nome de sua família...


  Damon Hill é filho de ninguém mais, ninguém menos que Graham Hill, Bi-campeão de Fórmula 1 (em 1962 e 1968), e também o único piloto até hoje a vencer a chamada “tríplice coroa” do automobilismo (Indianápolis 500, 24 horas de Le Mans e o campeonato de Fórmula 1). Uma lenda.

  Não é preciso dizer o quanto Hill, o filho, nasceu e cresceu em berço de ouro. Mas o destino lhe guardava uma (desagradável) surpresa.

  Piloto de seus próprios aviões, Graham não era um cara muito responsável. E irresponsabilidade somada com aviões... Em 29 de novembro de 1975, Graham Hill faleceu em um acidente aéreo.
 
  E como tudo que está ruim, normalmente piora... Toda a fortuna da família Hill acabou sendo utilizada para pagar as indenizações para as famílias das vitimas do acidente. Sem o marido, sem dinheiro, com os filhos para criar, sem uma profissão... Essa era a situação da mãe de Hill, que rapidamente se tornou uma mulher depressiva.

  Foi então que Damon Hill tomou sua decisão, e fez uma promessa ousada a sua mãe: Ele seria um campeão como seu pai, devolveria a ela tudo que eles perderam e de quebra levaria o nome dos Hill de volta ao topo. E lá foi ele.

  Na época piloto de motocicletas (onde também não se destacava), ele partiu para um caminho que consistia no melhor atalho para a almejada categoria onde seu pai se consagrou. Foi tentar a sorte na Formula 3 inglesa. E depois de uma passagem pela fórmula 3000, Hill finalmente chegou a Fórmula 1... Aos 31 anos, idade onde muitos pilotos já estão pensando em sua aposentadoria...

  Mas isso não o desanimava. Se nem sequer o carro da Brabham, equipe que lhe abriu as portas da F-1, simplesmente horrível e incapaz de competir sequer com os outros carros horríveis da categoria, tirava-lhe as esperanças, não seria a idade que conseguiria fazê-lo. Damon Hill não era um homem que desistia assim, por mais que o tempo estivesse passando para ele. E ironicamente, Hill parece ter vencido o tempo... Pelo cansaço!

   Em 1994 Hill acabou indo para a Willians, uma equipe de ponta, e com o falecimento de Senna, Hill viria a se tornar o primeiro piloto dessa equipe. Em 1995 já estava na briga pelo titulo. Bateu na trave. Tomou uma fechada de Schumacher quando parecia que iria vencer um titulo improvável. E o alemão, numa manobra um tanto anti-ética e bem suicida por sinal, acabou saindo campeão.

  Porém, no ano seguinte, finalmente Hill alcançou seu objetivo. 1996. Damon Hill finalmente era campeão, vencendo o próprio Schumacher, além do companheiro de equipe Jacques Villeneuve, e tornando-se o primeiro (e até aqui único) filho de um campeão de Formula 1 a repetir o feito.

  Missão cumprida. Daí pra frente, Damon não fez mais nada muito importante na F-1, pelo menos considerando o que esperamos de um campeão. Teve alguns GP’s muito bons, venceu algumas corridas, mas não brigou mais por títulos, até se aposentar em 1999. Mas ele nem precisava mais: Já havia cumprido a promessa feita a sua mãe. E sem metade do talento de seu pai.

  Damon Hill é a prova viva de que no esporte, vontade de vencer é tudo. Muita força vontade, determinação e garra podem sim compensar a falta de habilidade. Mas o contrário, isso eu nunca vi acontecer.
  E por isso, Hill merece sim seu lugar entre as lendas. O piloto mais determinado da historia. Será que isso é pouco?

2 comentários:

  1. Sou super fã de Damon Hill.
    Pra mim, ele é bi campeão (1994).
    Pode não ter sido um piloto fora do comum, mas para um fã como eu, isso não importa.
    Damon Hill sempre estará em primeiro lugar.

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