terça-feira, 16 de dezembro de 2014

3D Streets of Rage - Análise

 Isso não é um blog de games. É só um blog de um cara que está vivendo um momento saudosista. 

Existe um destino nefasto que aguarda a todos que forem jogar Streets of Rage pela primeira vez: O primeiro botão que você apertar vai chamar a polícia, desperdiçando seu especial.

 Digo isso porque é uma mostra clara do sentimento que tomou conta de mim quando iniciei esse jogo no Nintendo 3DS: Nostalgia. Tantas memórias de tardes dos anos 90 desperdiçados tentando salvar essa cidade do terrível Mr. X, revividas no exato momento em que fui testar os comandos e o primeiro que apertei calhou de ser o tal botão da polícia.

Hoje em dia a industria de games aprendeu que emuladores não deveriam ser seus inimigos, e sim, seus amigos, e está ganhando uma bela grana vendendo jogos que todo mundo já jogou nas lojas virtuais da vida. A Nintendo sabe disso, e abriu as portas do passado aos seus sistemas mais novos.

 Streets of Rage já tinha cruzado a ponte entre o Sega Mega Drive e um videogame da Nintendo quando apareceu no Wii um tempo atrás. E agora chegou ao Nintendo 3DS. Os mais pão duros devem pensar: "Já joguei esse jogo em mil aparelhos, posso emular de graça até no celular. Por que comprar?" - uma pergunta que faz todo o sentido. Até o momento em que você por os olhos nessa versão pra 3DS.

O novo velho Streets of Rage

Se você esteve do lado Nintendo da força ou é novo demais pra ter apagado velinhas nos anos 90, Streets of Rage talvez precise de alguma introdução: Trata-se de um jogo de "luta na rua" (uso os termos do fliperama dos anos 90 e não esses americanismos que são moda na internet, não vou chamar esse jogo de "beat'n up" nem sob decreto, desculpem) nos moldes de Final Fight e Double Dragon - na verdade, o jogo foi uma resposta da Sega a esses dois, jogos que té então eram exclusivos da Nintendo.


Streets of Rage é um jogo com excelentes gráficos para um jogo de 1991, uma jogabilidade simples, porém ótima, cenários inspirados e uma trilha sonora que viria a se tornar um marco dentro dessa indústria - em suma, uma obra prima como poucas vistas até então e um dos melhores motivos pra se comprar um Mega Drive.

A história era bem simples: 3 jovens (Adam Hunter, Axel Stone e a musa Blaze Fielding) ex-policiais salvando uma cidade de uma organização criminosa NA BASE DO TAPA. 

Os mais conservadores com certeza devem se preocupar com o quanto a equipe M2 (o estúdio que fez a conversão) foi competente ao manter a qualidade da conversão e eu trago boas novas: O trabalho de emulação (na verdade, o jogo utiliza um negócio chamado Retro Engine, que não é exatamente uma emulação, mas enfim) é impecável. Você não vai sentir falta de absolutamente nada durante o game.

As ondas da praia indo e vindo e a chuva rápida ainda vão dar aquele efeito legal enquanto você senta a porrada na turma, as gêmeas Mona e Lisa (também conhecidas como os clones da heroína Blaze) ainda vão te dar uma surra pulando que nem duas macacas pela tela, tentar arremesar o chefe gordão que solta fogo ainda é uma ideia idiota e o Mr X ainda vai te jogar de volta pro meio do jogo se você der a resposta errada (não existe spoiler em jogo com 24 anos de idade né galera?) - e o mais importante: Tudo isso sem faltar UM PIXEL sequer.

Na verdade, a resolução e o tamanho da tela do 3DS, bem como a qualidade da mesma, fazem o jogo parecer até mais bonito que a versão de Mega Drive, mesmo sem ter sofrido nenhuma alteração. Aliás, existe uma coisa diferente, uma coisa que literalmente salta aos olhos e é aqui onde mora o grande trunfo desse jogo.

As Profundas Ruas da Fúria

Quando você, um jogador das antigas de Streets of Rage, liga o efeito 3D do Nintendo 3DS, é muito difícil fugir da seguinte reação: "Ual!"

O efeito 3D desse jogo realmente foi muito bem trabalhado. Um 3D que não cansa a vista, não dói os olhos, e dá um efeito simplesmente espetacular pro jogo. Joguei o game do começo ao fim com o 3D no máximo sem sentir a menor dificuldade de diminuir. A fase do elev
ador, com o 3D, é lindíssima.

Há duas opções de 3D: Um em que o game "afunda" pra dentro do 3DS e outra onde a tela "pula pra fora" do console - esse segundo é realmente impressionante, embora o primeiro também seja lindo.

Paralelamente, há ainda uma opção para fazer com que o 3DS simule uma tela de tubo, das antigas, contemporâneas do jogo, para os realmente saudosistas. Esse efeito também é bem legal.

Na verdade, a vontade que dá, depois de ver esse jogando rodando no 3DS, é reunir aqueles amigos que jogavam com você na infância só pra mostrar. Acreditem em mim: Nenhum vídeo ou imagem na internet vai te dar a dimensão correta do que estou dizendo e mais importante, poucos jogos no 3DS foram tão competentes usando esse efeito - aliás, esse é um elogio comum aos jogos que a Sega tem lançado nesse mesmo esquema.

Tal como os gráficos, a jogabilidade permanece inalterada, embora alguns aspectos do game estejam diferentes. Ainda há apenas um botão para atacar, um botão para pular e outra pro golpe especial (pedir aquela forcinha da polícia). É possível, no entanto, fazer algumas combinações de comandos, pra dar uma variada, mas no geral é o clássico andar, bater, comer um frango no chão pra recuperar e assim por diante.

Obviamente, o jogo continua com um dos seus maiores pontos fracos: Ele é curto. Pouco mais de 1 hora basta pra vencer o jogo, sem maiores problemas.

No original do Mega Drive, isso estava de certa forma maquiado, uma vez que para um iniciante era muito difícil completar o game de primeira, pelo menos sozinho. Era preciso jogar bastante pra eventualmente conseguir chegar ao final do jogo. No 3DS isso não acontece, por causa de um dos aspectos do game que foram alterados: Esse jogo, no 3DS, tem continues infinitos. (confesso: Eu tive que realmente desempoeirar a versão de Mega Drive pra ter certeza que isso tinha mudado, por alguns minutos achei que eu estava louco).

A capa do jogo era bem mentirosa né?
 Até hoje to procurando os caras tirando das janelas, saindo do bueiro...
Na prática, isso quer dizer que basta você ter paciência que vai vencer o jogo. Essa situação talvez tenha sido incorporada pra deixar o jogo mais "atual", afinal, as novas gerações não estão muito habituadas ao Game Over como nós estávamos. Mas não deixa de ser uma mancada não terem pelo menos deixado isso arbitrário ao jogador - se existe uma opção pra definir quantos continues você quer, se os quer infinitos ou não, eu não achei.

Sendo assim, não tem jeito: O jogo é curto. Você que já jogou Streets of Rage não vai se incomodar, mas novatos podem se decepcionar.

. Essa versão ainda tem uma opção de Save State, aliás, mas nesse jogo em particular ela não pode ser acusada de facilitar nada, já que você sempre revive exatamente onde morreu, ainda que use mil continues. O Save State aqui é apenas positivo, já que por se tratar de um portátil, nunca sabemos quando vamos ter que desligar.

Há ainda um mode de jogo chamado Fists of Fury, onde basta acertar um golpe no inimigo e ele morre - que na prática acaba se tornando apenas um tour pelos cenários do jogo. Mas é um extra que serve apenas como uma curiosidade.

No que diz respeito ao som, está tudo lá. Esse jogo é irrepreensível do ponto de vista sonoro, nem vale a pena se prolongar. É perfeito.

Quando eu falei da dificuldade em completar o game sozinho, você provavelmente deve ter lembrado que esse jogo - como regra no estilo - era muito melhor aproveitado jogando com um amigo pra dar aquela ajudinha. 3D Streets of Rage tem uma boa e uma má notícia pra você que sente saudade disso:

A Boa: 3D Streets of Rage manteve o modo pra dois jogadores.
A má: Só partidas locais. Sem possibilidade de jogar pela internet. E pior: Os dois jogadores precisam ter sua cópia do jogo instalado em seus 3DS. Muita burocracia pra algo tão simples, o que diminui as possibilidades de uma partidinha a dois pra algo muito próximo de 0. Uma pena.

Mas note que as grandes críticas ao jogo são coisas pelas quais a obra original pode ser de certa forma inocentada, considerando que é um jogo de mais de duas décadas atrás. É a prova de que fã é muito chato: Se muda (continues infinitos) os fãs reclamam. Se deixa igual (multiplayer apenas local) vai ter gente pra reclamar também. É o ingrato trabalho de reviver uma obra prima. E é isso que Streets of Rage foi em seu tempo, e é isso que 3D Streets of Rage é hoje em dia: Uma obra prima. Por menos que o preço de um almoço, um dos melhores jogos de todos os tempos em sua melhor versão (sim, já considero essa versão superior ao Mega Drive) vale muito a pena.

Como um último adendo, esse jogo permite jogar a verão americana ou internacional (mais conhecida como japonesa) do jogo. Nesse jogo não há muitas diferenças, no entanto, diferente do Streets of Rage 3, que mudava bastante. Vale apenas como curiosidade.

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