quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Alice no Pais das Maravilhas: Ela realmente existiu!


  Algumas histórias jamais saem de moda. Tudo bem, elas saem. Mas depois de um tempo, elas voltam. Contos infantis tendem a sair de foco e voltar, de acordo com diversos fatores, entre eles, a mídia, sem jamais serem esquecidos de fato. Por exemplo, a bola da vez é Alice no País das Maravilhas, desde que o filme com participação da Johnny Depp estreou no cinema recentemente, em meados de 2010.

A famosa história criada em 1862 e lançada em forma de livro em 1865 entretanto já passou pelo cinema incríveis 22 vezes. Também já cansou de ser contada em quadrinhos, livros, desenhos e qualquer outra mídia que permita contar uma história, fazendo de Alice um dos ícones infantis mais conhecidos ao redor do mundo. Ou quase. Quase, porque pouca gente sabe, mas Alice realmente existiu. E é ela que você conhecerá a seguir...


Uma história improvisada.

Alice Pleasance Lidell jamais foi para um mundo mágico, estabeleceu um diálogo com animais ou foi ameaçada por uma rainha com o transtorno do narcisismo situacional adquirido (ou seja, uma rainha cujo poder subiu a cabeça). Pelo menos não na vida real (é o que ela diz né...)

A história que fez de Alice famosa surgiu meio que no acaso. A menina, então com 10 anos, passeava de barco pelo rio Tâmisa com seu pai, Henry George Lidell, o vice-chanceler da Christ Church (que viria a se tornar a Faculdade de Oxford), suas duas irmãs (Lorina Charlotte e Edith Mary) e o professor de matemática Charles Lutwidge Dodson (que viria a ficar famoso pelo seu pseudônimo Lewis Carrol).

Em determinado ponto do passeio, Charles (que nutria um carinho gigantesco por Alice – existem até comentários, maldosos e jamais confirmados, que sugerem que ele fosse pedófilo...) resolveu contar uma história para entreter as crianças, e colocou Alice no papel principal. Logo, o pai de Alice também começou a ajudar a inventar a história que estava sendo criada de improviso... E assim surgiu o conto que viria a imortalizar Alice. Ou quase...
Da esquerda para a direita: Edith, Lorina e Alice

Lavou, tá novo...

Ao terminar a história, todos notaram que ela tinha ficado boa demais para morrer ali. Inclusive Alice. E isso motivou Charles a providenciar uma versão manuscrita da história para presentear a menina. Entretanto, não ficou só nisso.
Os amigos de Charles começaram a pressioná-lo para que ele publicasse um livro baseado na história. Charles então trabalhou um pouco mais nela, adicionando mais detalhes e alguns acontecimentos novos. 3 anos depois da história ser inventada quase que por acaso, o livro foi lançado, contando a história que conhecemos hoje. Ou não...

Adaptações e inspirações...

Anos mais tarde. Charles ainda publicaria uma sequência, Alice no Outro Lado do Espelho. É engraçado notar que hoje em dia muitas vezes confunde-se, ou até une-se, os personagens de uma história com a outra, fazendo com que muita gente de fato não saiba diferenciar

Em um exemplo bem claro e fresco na memória de todos: No filme recent onde Johnny Depp faz o papel de chapeleiro, a vilã é a Rainha Vermelha. Porém, na história original, a Rainha Vermelha só aparece no segundo livro. Em Alice no País das Maravilhas, a vilã é a Rainha de Copas, que não tem muito a ver com a Rainha Vermelha, além do fato de que são vilãs e são rainhas. Aliás, o filme de 2010 parece ser exatamente uma mistura entre as duas histórias...

Outra curiosidade é que, embora apenas Alice apareça realmente interpretando a si mesma na história, muitos dos elementos presentes foram inspirados em pessoas e situações que estavam presentes em sua vida. O Buraco do Coelho onde ela caiu, por exemplo, foi inspirado nas escadas no salão principal de uma igreja local. O pássaro Dodo é uma caricatura do próprio Charles (ele era gago, e quando se apresentava, frequentemente dizia algo como “Do...Do.. Dodson”, daí surgiu a paródia). Arara era uma personificação da irmã de Alice, Lorine. Aguieta é inspirada na outra irmã, Edith. E o mais curioso: O Rei e a Rainha de Copas são paródias, respectivamente, do pai e da mãe de Alice...

A quase princesa.

Voltando a falar de Alice passou a sua vida divulgando as histórias (de boba não tinha nada...). Chegou a ter um namorico rápido com o Principe Leopoldo em 1872 durante seus anos na faculdade, mas casou-se com Reginald Hargreaves. Ela usou um broche que ganhou do Príncipe Leopoldo durante o casamento. (Dodson não compareceu a cerimônia, limitando-se a enviar um presente). Teve três filhos, sendo que um deles ela batizou de Leopoldo, e o príncipe, por sua vez, batizou uma de suas filhas como Alice...
Alice ainda vendeu em 1915 o manuscrito original, que Dodson havia lhe presenteado depois de criar a história junto com seu pai, por £15,400, um belo preço considerando que o documento se tratava de um manuscrito... Ela ainda viajou aos EUA em 1932, ano do centenário do nascimento de Charles Dodson, onde recebeu o Doutorado de Honra da Literatura. Ela faleceu em 1934 aos 82 anos. O manuscrito original foi mais tarde doado a British Library, onde permanece até hoje. Mais um caso de pessoa, como o Papai Noel, que ficou menos famosa do que o personagem que inspirou...

Um comentário:

  1. Nossa, quando li achei que fosse mentira, mas ela realmente existiu! O.O

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